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Na expectativa da virada do ciclo pecuário

Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria aponta forte abate de fêmeas e China pagando pouco, mas aguarda recuperação gradativa da arroba.

Por Maristela Franco

Com uma temática associada aos esportes, o Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria reuniu mais de 1.000 pessoas, entre os dias 9 e 12 de abril, em Ribeirão Preto (SP), para discutir táticas de posicionamento do pecuarista no “ringue” do mercado, que está particularmente cruel nesta fase de baixa.

Em quatro dias, foram apresentadas palestras abordando desde questões nutricionais e de manejo até panoramas internacionais da carne. O evento, que marca os 30 anos da Scot, deu particular atenção a quatro estratégias para obtenção de melhores resultados financeiros na atividade: o planejamento tático, as técnicas de intensificação produtiva, o hedge de preços (muito debatido no encontro) e a gestão de pessoas.

Os paineis foram fechados por debates, que ganharam mais tempo na programação e surpreenderam pela qualidade das perguntas enviadas pelo público. DBO escolheu um dos mais “quentes” – o de mercado – para apresentar a seus leitores. Nas palestras que antecederam esse debate, os analistas da Scot Consultoria traçaram um panorama do setor. Segundo Ana Paula Oliveira, o ciclo pecuário está se encurtando no País (de nove para cerca de cinco anos), mas continua definindo as cotações.

“Em 2020-2021, tivemos uma grande retenção de fêmeas e forte crescimento da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e, já em 2023, foi possível sentir os reflexos disso, com maior oferta de animais para abate e queda acentuada nos preços do gado gordo e do bezerro, que levou ao descarte de vacas. No primeiro trimestre de 2024, 40% dos animais enviados aos frigoríficos foram fêmeas”, disse Ana Paula. “Outro indicador interessante foi a ociosidade dos frigoríficos, que caiu de 30% para 24,2%”, completou Pedro Gonçalves.

As exportações, segundo os analistas da Scot, não ajudaram a reverter esse movimento de baixa porque os preços não estavam muito atrativos, o que impediu um crescimento mais significativo dos embarques. A China continuou sendo nosso maior comprador (53,61% do total exportado), porém pagando preços bem menores (US$ 4.790, ante US$ 6.420/t do ano anterior), com cotações, em 2024, ainda menos atrativas. A queda de 12% no preço da carne não foi suficiente para enxugar o excesso de oferta. A expectativa, contudo, é de que o valor da @ melhore na passagem de 2024 para 2025, momento aguardado com ansiedade.

Veja a seguir alguns trechos do debate sobre mercado, que contou com participação de dois analistas (Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, e Leonardo Alencar, da XP Research) e três representantes de frigoríficos (Fabiano Tito Rosa, diretor de compra de gado da Minerva Foods; Humberto Paulinelli, diretor de originação do Rio Maria, e Rodrigo Sato, gerente de exportação do Barra Mansa). A mediação ficou a cargo de Alcides Torres, diretor-fundador da Scot Consultoria.

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