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Meio ambiente, morcegos e raiva bovina

Leia a coluna do médico veterinário Enrico Ortolani, professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP

Dentes caninos do Desmodus rotundus. Foto: Anderson Soares

Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP ortolani@usp.br

Quando se fala em morcegos, logo se pensa no Conde Drácula, que habitava a Transilvânia (atual Romênia), personagem criado pelo escritor irlandês Bram Stoker. Na verdade, o Conde Drácula foi baseado em uma pessoa real, Vlad III, que viveu de 1431 a 1476 na Transilvânia e que, segundo a lenda, empalava muçulmanos aprisionados e bebia seu sangue. Stoker ouviu também histórias macabras e verdadeiras de morcegos hematófagos (hema = sangue; fagos = comer, ingerir) que atacavam seres humanos na então Guiana Inglesa, atual Guiana. Assim, ele misturou os relatos, dando origem ao sanguinário Drácula.

Embora existam mais de 1.200 espécies de morcegos distribuídos em quase todo o globo, a esmagadora maioria deles é frugívoro, insetívoro, ou com outros hábitos alimentares, e apenas três são hematófagos, vivendo unicamente na América Latina e Caribe. Desses três, apenas o maior traz danos à boiada – o Desmodus rotundus –, nome científico que poderia ser traduzido como: “arcada de dentes redondos ou afiados”. Realmente, seus dentes são bem afiados e apropriados para perfurar a pele e obter um sangramento no local (foto acima).

Os morcegos hematófagos existem há, no mínimo, 2 milhões de anos, se alimentando (antes da chegada dos “caras-pálidas” por aqui) apenas de mamíferos silvestres de grande porte (antas, catetos, capivaras etc) e, ocasionalmente, de aves. Porém, junto com os europeus, vieram rebanhos de bovinos, equinos e outros ruminantes, e isso mudou o comportamento e o número de vampiros. Morcegos não são bobos e passaram a preferir os novos mamíferos aos nativos, pois, na maioria dos ambientes, estão em grande número, são maiores, mais calmos e se deixam morder.

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Dentes caninos do Desmodus rotundus. Foto: Anderson Soares

Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP ortolani@usp.br

Quando se fala em morcegos, logo se pensa no Conde Drácula, que habitava a Transilvânia (atual Romênia), personagem criado pelo escritor irlandês Bram Stoker. Na verdade, o Conde Drácula foi baseado em uma pessoa real, Vlad III, que viveu de 1431 a 1476 na Transilvânia e que, segundo a lenda, empalava muçulmanos aprisionados e bebia seu sangue. Stoker ouviu também histórias macabras e verdadeiras de morcegos hematófagos (hema = sangue; fagos = comer, ingerir) que atacavam seres humanos na então Guiana Inglesa, atual Guiana. Assim, ele misturou os relatos, dando origem ao sanguinário Drácula.

Embora existam mais de 1.200 espécies de morcegos distribuídos em quase todo o globo, a esmagadora maioria deles é frugívoro, insetívoro, ou com outros hábitos alimentares, e apenas três são hematófagos, vivendo unicamente na América Latina e Caribe. Desses três, apenas o maior traz danos à boiada – o Desmodus rotundus –, nome científico que poderia ser traduzido como: “arcada de dentes redondos ou afiados”. Realmente, seus dentes são bem afiados e apropriados para perfurar a pele e obter um sangramento no local (foto acima).

Os morcegos hematófagos existem há, no mínimo, 2 milhões de anos, se alimentando (antes da chegada dos “caras-pálidas” por aqui) apenas de mamíferos silvestres de grande porte (antas, catetos, capivaras etc) e, ocasionalmente, de aves. Porém, junto com os europeus, vieram rebanhos de bovinos, equinos e outros ruminantes, e isso mudou o comportamento e o número de vampiros. Morcegos não são bobos e passaram a preferir os novos mamíferos aos nativos, pois, na maioria dos ambientes, estão em grande número, são maiores, mais calmos e se deixam morder.

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