Impacto das tarifas sobre a carne bovina pode ser revertido, diz presidente da Abiec
Em entrevista ao jornalista Moacir José, Roberto Perosa, presidente da Abiec, fala dos impactos do tarifaço sobre as exportações de carne para os Estados Unidos e da esperança de que ele possa ser revertido, bem como das outras possibilidades que se abrem para sustentar nossa posição cada vez mais forte no mercado mundial da proteína.
Fotos: Rodrigo Pertoti/Abiec
Por Moacir José
Quando assumiu a presidência da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), em dezembro de 2024, Roberto Perosa tinha por meta continuar aumentando o número de países para os quais o Brasil exporta, naquele momento 157 nações, mas, após o tarifaço de Trump (50%), que entrou em vigor dia 6 de agosto, essa meta tornou-se uma necessidade urgente. Como a maior parte da carne brasileira (172.000 t no ano passado) já pagava uma taxa de 26,4% para entrar nos EUA, o cálculo é de que os importadores norte-americanos tenham de pagar quase 77% de imposto pelo nosso produto, o que praticamente inviabiliza compras fora da cota de 65.000 t que dividimos com mais nove países.
Ampliar o acesso a mercados prioritários e posicionar o Brasil como principal fornecedor global de proteína com qualidade, sanidade e rastreabilidade passou a ser um desafio redobrado de Perosa, uma vez que os EUA eram, até aqui, o segundo maior mercado da carne brasileira. Preparo para isso parece não lhe faltar. Em seu currículo, percebe-se extensa bagagem como negociador, tanto como representante da iniciativa privada quanto governamental. Seu penúltimo posto foi como secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, onde atuou de janeiro de 2023 a outubro de 2024.
Natural de São Paulo, capital, e formado em Direito, com especializações em Comércio Internacional, Relações Governamentais, Ética Empresarial, Responsabilidade Social e Direito da Tecnologia da Informação, Perosa participa ativamente de conselhos e fóruns estratégicos ligados ao agronegócio desde 2016. Foi conselheiro da ApexBrasil, da Embrapa e do Sistema CNA/Senar e ajudou a conduzir negociações junto aos países do BRICS, no Instituto Interamericano de Cooperacão para Agricultura (IICA) e na Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesta entrevista concedida ao jornalista Moacir José, na sede da Abiec em São Paulo, ele fala sobre desdobramentos do tarifaço e outros assuntos de interesse do setor.
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Quando assumiu a presidência da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), em dezembro de 2024, Roberto Perosa tinha por meta continuar aumentando o número de países para os quais o Brasil exporta, naquele momento 157 nações, mas, após o tarifaço de Trump (50%), que entrou em vigor dia 6 de agosto, essa meta tornou-se uma necessidade urgente. Como a maior parte da carne brasileira (172.000 t no ano passado) já pagava uma taxa de 26,4% para entrar nos EUA, o cálculo é de que os importadores norte-americanos tenham de pagar quase 77% de imposto pelo nosso produto, o que praticamente inviabiliza compras fora da cota de 65.000 t que dividimos com mais nove países.
Ampliar o acesso a mercados prioritários e posicionar o Brasil como principal fornecedor global de proteína com qualidade, sanidade e rastreabilidade passou a ser um desafio redobrado de Perosa, uma vez que os EUA eram, até aqui, o segundo maior mercado da carne brasileira. Preparo para isso parece não lhe faltar. Em seu currículo, percebe-se extensa bagagem como negociador, tanto como representante da iniciativa privada quanto governamental. Seu penúltimo posto foi como secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, onde atuou de janeiro de 2023 a outubro de 2024.
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