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Exportações de carne bovina: riscos e oportunidades no novo cenário global

Em entrevista ao jornalista Moacir José, o especialista em comércio internacional Marcos Jank fala sobre as graves consequências dos tarifaços de Trump na ordem econômica mundial, mas vê oportunidades para o Brasil nas exportações de carne.

Marcos Jank, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper/SP).

Por Moacir José

Com 40 anos de experiência em comércio internacional, Marcos Jank já viu muita coisa nas relações entre países. Foi o primeiro presidente do Instituto de Estudos do Comércio e das Negociações Internacionais (Icone), no início de 2003, justamente quando o multilateralismo impulsionava os negócios e o Brasil brigava contra o protecionismo dos países desenvolvidos, especialmente os europeus, nos produtos agropecuários. Doze anos depois foi para Singapura, um dos quatro “tigres asiáticos”, e visitou a China (muitas vezes), Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia, Japão e Índia, procurando entender o funcionamento dessa região da Ásia, que ele chamou de “farol dos nossos navios”, em entrevista, neste mesmo espaço (maio/2021), em referência às oportunidades que esses países ofereciam para o consumo de carne e outros produtos.

Desde 2019, ele é professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper/SP), onde leciona e coordena o Centro Insper Agro Global, que estuda os grandes vetores de transformação do agronegócio mundial. Há alguns anos, Jank já vinha apontado o declínio das negociações mediadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e dos acordos entre blocos (como o da UE-Mercosul), insistindo que o Brasil deveria apostar em acordos bilaterais (entre países), mas esse mecanismo também parece não ser mais o mesmo. “Donald Trump inaugurou uma nova fase, que ninguém sabe, ainda, aonde vai dar: a do unilateralismo”, diz Jank, em referência ao “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, em 2 de abril, a praticamente todas as nações do mundo, independentemente de terem ou não superávit com a maior economia do planeta.

Seu objetivo explícito é reduzir o déficit dos EUA nas transações comerciais (US$ 1,2 trilhão em 2024), visando parar de perder terreno para sua maior concorrente, a China, que teve superávit de US$ 1 trilhão. Para Jank, esse unilateralismo significa voltar à “lei da selva” no comércio internacional, algo que prevaleceu até 1947, quando foi criado o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio, na sigla em inglês), organismo da ONU que teve justamente a incumbência de acabar com o “salve-se quem puder” e impor regras no comércio. Para o professor do Insper, isso vai gerar grande confusão e insegurança, ainda que preveja que o presidente norte-americano terá de voltar atrás em quase tudo que anunciou até agora, sob pena de prejudicar severamente seu próprio povo.

Veja, a seguir, mais detalhes da entrevista concedida ao colaborador de DBO, Moacir José, na sede do Insper.

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Marcos Jank, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper/SP).

Por Moacir José

Com 40 anos de experiência em comércio internacional, Marcos Jank já viu muita coisa nas relações entre países. Foi o primeiro presidente do Instituto de Estudos do Comércio e das Negociações Internacionais (Icone), no início de 2003, justamente quando o multilateralismo impulsionava os negócios e o Brasil brigava contra o protecionismo dos países desenvolvidos, especialmente os europeus, nos produtos agropecuários. Doze anos depois foi para Singapura, um dos quatro “tigres asiáticos”, e visitou a China (muitas vezes), Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia, Japão e Índia, procurando entender o funcionamento dessa região da Ásia, que ele chamou de “farol dos nossos navios”, em entrevista, neste mesmo espaço (maio/2021), em referência às oportunidades que esses países ofereciam para o consumo de carne e outros produtos.

Desde 2019, ele é professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper/SP), onde leciona e coordena o Centro Insper Agro Global, que estuda os grandes vetores de transformação do agronegócio mundial. Há alguns anos, Jank já vinha apontado o declínio das negociações mediadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e dos acordos entre blocos (como o da UE-Mercosul), insistindo que o Brasil deveria apostar em acordos bilaterais (entre países), mas esse mecanismo também parece não ser mais o mesmo. “Donald Trump inaugurou uma nova fase, que ninguém sabe, ainda, aonde vai dar: a do unilateralismo”, diz Jank, em referência ao “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, em 2 de abril, a praticamente todas as nações do mundo, independentemente de terem ou não superávit com a maior economia do planeta.

Seu objetivo explícito é reduzir o déficit dos EUA nas transações comerciais (US$ 1,2 trilhão em 2024), visando parar de perder terreno para sua maior concorrente, a China, que teve superávit de US$ 1 trilhão. Para Jank, esse unilateralismo significa voltar à “lei da selva” no comércio internacional, algo que prevaleceu até 1947, quando foi criado o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio, na sigla em inglês), organismo da ONU que teve justamente a incumbência de acabar com o “salve-se quem puder” e impor regras no comércio. Para o professor do Insper, isso vai gerar grande confusão e insegurança, ainda que preveja que o presidente norte-americano terá de voltar atrás em quase tudo que anunciou até agora, sob pena de prejudicar severamente seu próprio povo.

Veja, a seguir, mais detalhes da entrevista concedida ao colaborador de DBO, Moacir José, na sede do Insper.

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