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Clostridioses: sinal de alerta no campo

Produtores relatam falta de vacinas em alguns Estados e especialistas alertam para risco à qualidade dos imunizantes, o que pode afetar o combate a essas doenças letais.

Foto: Celso Felipe Rodrigues Sousa

Por Renato Villela

O combate às clostridioses – complexo de doenças causadas por toxinas e/ou bactérias do gênero Clostridium – está causando preocupação no Brasil. O número reduzido de empresas que fabricam vacinas contra essas moléstias em território nacional e o fechamento de unidades industriais levou à dependência de importações e ao desabastecimento em Estados como Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre, conforme levantamento feito por DBO junto a uma grande rede de revendas agropecuárias.

A falta de vacinas foi confirmada por depoimentos de produtores. Muitos relatam não estar conseguindo comprar produtos de determinadas marcas. Esse quadro preocupa, pois a vacinação é imprescindível para debelar doenças clostridiais como o botulismo e a manqueira, que figuram entre as mais letais em bovinos no Brasil.

As clostridioses estão entre as doenças que mais matam bovinos no Brasil.

A falta de vacinas decorre de uma redução drástica no número de empresas que comercializam o imunizante no País. Eram 16 na década de 2000 e hoje são sete, com apenas uma delas produzindo em território brasileiro. Esse encolhimento do parque industrial ocorreu de forma gradativa, mas se intensificou a partir de 2022, quando a MSD Saúde Animal desativou sua fábrica em Montes Claros (MG), uma grande unidade produtora que pertencera à antiga Vallée, adquirida pela multinacional norte-americana em 2016.

Procurada por DBO, a MSD explicou que a medida decorreu de uma “revisão estratégica global” da companhia e que suas vacinas anticlostridiais estão sendo produzidas por uma unidade localizada no Uruguai, mas não informou qual quantidade desse produto tem chegado regularmente ao Brasil.

Turbulência no mercado

Além do fechamento da fábrica de Montes Claros pela MSD, outro episódio sacudiu o mercado: a inglesa Dechra anunciou o encerramento de suas atividades em Londrina (PR), após a vacina clostridial que ela produzia (a Excell 10) causar a morte de centenas de animais devido a erros na fabricação (contaminação por Paraclostridium sordellii, conforme investigação do Ministério da Agricultura e Pecuária).

Partida da Excell 10 recolhida por autoridades sanitárias do Nordente.

A decisão dessa empresa criou uma grande lacuna ainda não preenchida, pois ela produzia de 40 a 50 milhões de doses por ano. Com sua saída do mercado, a produção nacional caiu em 20%, segundo estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

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O combate às clostridioses – complexo de doenças causadas por toxinas e/ou bactérias do gênero Clostridium – está causando preocupação no Brasil. O número reduzido de empresas que fabricam vacinas contra essas moléstias em território nacional e o fechamento de unidades industriais levou à dependência de importações e ao desabastecimento em Estados como Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre, conforme levantamento feito por DBO junto a uma grande rede de revendas agropecuárias.

A falta de vacinas foi confirmada por depoimentos de produtores. Muitos relatam não estar conseguindo comprar produtos de determinadas marcas. Esse quadro preocupa, pois a vacinação é imprescindível para debelar doenças clostridiais como o botulismo e a manqueira, que figuram entre as mais letais em bovinos no Brasil.

As clostridioses estão entre as doenças que mais matam bovinos no Brasil.

A falta de vacinas decorre de uma redução drástica no número de empresas que comercializam o imunizante no País. Eram 16 na década de 2000 e hoje são sete, com apenas uma delas produzindo em território brasileiro. Esse encolhimento do parque industrial ocorreu de forma gradativa, mas se intensificou a partir de 2022, quando a MSD Saúde Animal desativou sua fábrica em Montes Claros (MG), uma grande unidade produtora que pertencera à antiga Vallée, adquirida pela multinacional norte-americana em 2016.

Procurada por DBO, a MSD explicou que a medida decorreu de uma “revisão estratégica global” da companhia e que suas vacinas anticlostridiais estão sendo produzidas por uma unidade localizada no Uruguai, mas não informou qual quantidade desse produto tem chegado regularmente ao Brasil.

Turbulência no mercado

Além do fechamento da fábrica de Montes Claros pela MSD, outro episódio sacudiu o mercado: a inglesa Dechra anunciou o encerramento de suas atividades em Londrina (PR), após a vacina clostridial que ela produzia (a Excell 10) causar a morte de centenas de animais devido a erros na fabricação (contaminação por Paraclostridium sordellii, conforme investigação do Ministério da Agricultura e Pecuária).

Partida da Excell 10 recolhida por autoridades sanitárias do Nordente.

A decisão dessa empresa criou uma grande lacuna ainda não preenchida, pois ela produzia de 40 a 50 milhões de doses por ano. Com sua saída do mercado, a produção nacional caiu em 20%, segundo estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

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