Por Moacir José – Editor do Anuário DBO
Por Moacir José – Editor do Anuário DBOComo foi previsto por alguns analistas de mercado no Anuário DBO 2024 – e a própria chamada de capa da edição expressou isso – a situação geral da pecuária brasileira melhorou bastante no ano passado. A confirmação de início de virada de ciclo (para o de alta) aconteceu em agosto, quando o valor da arroba do boi – até então em queda, em comparação com os mesmos meses de 2023 –, voltou a subir.
Pelos dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da USP em Piracicaba, em valores já deflacionados, o movimento seguiu até dezembro, com um salto espetacular em outubro, quando a arroba atingiu R$ 310, 28% maior do que a cotação de julho e 16% maior do que a de setembro. O movimento de alta não foi suficiente para colocar a média do ano (R$ 270) acima do patamar de 2023 (R$ 273) nem da média de 10 anos (R$ 290), mas deu um grande alívio: possibilitou que se freassem perdas significativas que se prenunciavam em vários segmentos da pecuária.
Um deles foi o de confinamento, que em 2023 registrou, na média, prejuízo de 6%, e passou para um lucro de 10% ano passado, segundo levantamento feito pela fabricante de suplementos DSM-Firmenich, num universo de 2.592 fazendas e 7,9 milhões de cabeças engordadas.
Um dos fatores da “virada de chave” foi o teto atingido pelo abate, que alcançou a marca recorde de 48 milhões de cabeças (geral), 4 milhões a mais do que no ano anterior, no levantamento da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). O recorde para um único mês aconteceu em julho: 3,5 milhões de cabeças (gado inspecionado) abatidas, segundo dados do IBGE.
Mas esse fato pouco ajudaria o setor, se este não tivesse recebido um precioso “empurrão” que veio do mercado externo: a demanda mais aquecida pela carne bovina (que cresceu 2% no mundo, mais do que a de frango e a de suíno). Com ela, os frigoríficos brasileiros aumentaram em 26% os embarques, que somaram 2,8 milhões de toneladas, permitindo que a fatura voltasse à casa dos US$ 12 bilhões, alcançada em 2022. Com um detalhe: a China seguiu como maior compradora, mas com uma participação de “apenas” 46% da fatura total (61% em 2022).
Outro segmento que conseguiu reverter o quadro de retração _ que estava desenhado até o início do segundo semestre _ foi o de rações e suplementos para bovinos: as vendas dos dois aumentaram, respectivamente, 7% e 6,7%, apontam dados do Sindirações e da Asbram. Já as vendas de sementes de forrageiras deram um salto de 32%, depois de terem patinado (+1%) em 2023.
Para as fazendas brasileiras, de uma maneira geral, a alta da arroba permitiu que fosse compensado o aumento nos custos de produção, de 22% (ante uma queda de 11% em 2023), segundo levantamento feito pelo Cepea para a CNA. Em termos de rentabilidade, porém, a atividade produtiva perdeu feio na comparação com outros indicadores financeiros levantados pela Scot Consultoria, tendo como régua o índice inflacionário do IGP-DI, que ficou em 6,8%. O segmento que mais se aproximou dele foi o de recria-engorda intensificada, com 5,3%.
Quem já não havia se apurado muito em 2023 − e foi muito bem em 2024 (graças ao desempenho da raça Nelore) − foi o mercado de leilões de genética apurada, que rompeu a barreira dos R$ 2 bilhões, com crescimento de 11% sobre o ano anterior.
Mais dois registros importantes deste Anuário DBO 2025: no campo da saúde animal, o Brasil deve conquistar o status de livre de aftosa sem vacinação, na opção por zonas de controle, não de país inteiro − o que dá mais segurança em caso de eventual foco da doença. E, no Meio Ambiente, a ótima notícia de recuo de quase 25% no desmatamento do Cerrado, que vinha preocupando.
Ótima leitura!
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Por Moacir José – Editor do Anuário DBO
Por Moacir José – Editor do Anuário DBOComo foi previsto por alguns analistas de mercado no Anuário DBO 2024 – e a própria chamada de capa da edição expressou isso – a situação geral da pecuária brasileira melhorou bastante no ano passado. A confirmação de início de virada de ciclo (para o de alta) aconteceu em agosto, quando o valor da arroba do boi – até então em queda, em comparação com os mesmos meses de 2023 –, voltou a subir.
Pelos dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da USP em Piracicaba, em valores já deflacionados, o movimento seguiu até dezembro, com um salto espetacular em outubro, quando a arroba atingiu R$ 310, 28% maior do que a cotação de julho e 16% maior do que a de setembro. O movimento de alta não foi suficiente para colocar a média do ano (R$ 270) acima do patamar de 2023 (R$ 273) nem da média de 10 anos (R$ 290), mas deu um grande alívio: possibilitou que se freassem perdas significativas que se prenunciavam em vários segmentos da pecuária.
Um deles foi o de confinamento, que em 2023 registrou, na média, prejuízo de 6%, e passou para um lucro de 10% ano passado, segundo levantamento feito pela fabricante de suplementos DSM-Firmenich, num universo de 2.592 fazendas e 7,9 milhões de cabeças engordadas.
Um dos fatores da “virada de chave” foi o teto atingido pelo abate, que alcançou a marca recorde de 48 milhões de cabeças (geral), 4 milhões a mais do que no ano anterior, no levantamento da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). O recorde para um único mês aconteceu em julho: 3,5 milhões de cabeças (gado inspecionado) abatidas, segundo dados do IBGE.
Mas esse fato pouco ajudaria o setor, se este não tivesse recebido um precioso “empurrão” que veio do mercado externo: a demanda mais aquecida pela carne bovina (que cresceu 2% no mundo, mais do que a de frango e a de suíno). Com ela, os frigoríficos brasileiros aumentaram em 26% os embarques, que somaram 2,8 milhões de toneladas, permitindo que a fatura voltasse à casa dos US$ 12 bilhões, alcançada em 2022. Com um detalhe: a China seguiu como maior compradora, mas com uma participação de “apenas” 46% da fatura total (61% em 2022).
Outro segmento que conseguiu reverter o quadro de retração _ que estava desenhado até o início do segundo semestre _ foi o de rações e suplementos para bovinos: as vendas dos dois aumentaram, respectivamente, 7% e 6,7%, apontam dados do Sindirações e da Asbram. Já as vendas de sementes de forrageiras deram um salto de 32%, depois de terem patinado (+1%) em 2023.
Para as fazendas brasileiras, de uma maneira geral, a alta da arroba permitiu que fosse compensado o aumento nos custos de produção, de 22% (ante uma queda de 11% em 2023), segundo levantamento feito pelo Cepea para a CNA. Em termos de rentabilidade, porém, a atividade produtiva perdeu feio na comparação com outros indicadores financeiros levantados pela Scot Consultoria, tendo como régua o índice inflacionário do IGP-DI, que ficou em 6,8%. O segmento que mais se aproximou dele foi o de recria-engorda intensificada, com 5,3%.
Quem já não havia se apurado muito em 2023 − e foi muito bem em 2024 (graças ao desempenho da raça Nelore) − foi o mercado de leilões de genética apurada, que rompeu a barreira dos R$ 2 bilhões, com crescimento de 11% sobre o ano anterior.
Mais dois registros importantes deste Anuário DBO 2025: no campo da saúde animal, o Brasil deve conquistar o status de livre de aftosa sem vacinação, na opção por zonas de controle, não de país inteiro − o que dá mais segurança em caso de eventual foco da doença. E, no Meio Ambiente, a ótima notícia de recuo de quase 25% no desmatamento do Cerrado, que vinha preocupando.
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