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Anuário DBO | Pouco a comemorar, em ano de “fundo de poço”

Por Moacir José – Editor do Anuário DBO

Ciclos pecuários (de baixa ou de alta) não costumam ser inferiores a três anos de duração. E 2023 parece ter sido o de pico (ou de “fundo de poço” como preferirão alguns), com reflexos em praticamente todos os principais números apresentados neste Anuário DBO 2024. Segundo dados do IBGE, até o terceiro trimestre de 2023 haviam sido abatidos 24,8 milhões de cabeças, 11% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Só em agosto foram 3,1 milhões, o maior da história.

O reflexo nos preços da arroba do boi gordo foi pesado: retração de 17%, em termos reais, em relação à média de 2022 (R$ 256 ante R$ 309), segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP em Piracicaba. Em 2022, o recuo frente a 2021 havia sido de 5,4%. E, comparado à média de 10 anos, o preço médio de 2023 foi 6,2% mais baixo.

Se servir como consolo, em termos de retorno financeiro, os números dos três sistemas produtivos da pecuária ficaram acima da inflação – no caso, o IGP-DI, que no ano passado teve deflação de 3,3%. O indicador é considerado mais adequado pela Scot Consultoria, que todo ano faz um comparativo de rentabilidade entre atividades produtivas e financeiras. Quem faz ciclo completo e aplica tecnologia de forma crescente em sua propriedade teve retorno de 5,7%, o sexto melhor (de 17) constatado pela consultoria de Bebedouro (SP).

No segmento das exportações, a queda de quase 20% na cotação média da carne brasileira fez com que a receita total encolhesse 18% (para US$ 10,5 bilhões), ainda que a quantidade embarcada tenha sido recorde (2,291 milhões de toneladas). Decisivo nesse processo foi o significativo recuo de 25% nos preços pagos pela China pelo nosso produto (US$ 4.790/t ante US$ 6.420 em 2022), uma vez que ela respondeu por 52% das vendas brasileiras. Na receita, 54%, sete pontos percentuais a menos do que em 2022.

O mundo também comprou menos (0,7%) carne no ano passado, em contraposição ao crescimento (2,4%) registrado em 2022. Mesmo assim, o Brasil segue, folgado, líder no ranking mundial. A novidade em 2023 foi a Austrália ter passado os Estados Unidos e ficado na segunda posição.

Para quem está antes da porteira das fazendas, como o segmento de suplementos e rações, o recuo nas vendas (até o terceiro trimestre de 2023) ficou em 3,6%, ainda que menor do que o observado em 2022 (acima de 5%). E nos confinamentos, o resultado econômico ficou negativo (0,17%) pelo segundo ano consecutivo, segundo o censo da fabricante de suplementos DSM-Firmenich.

Na comercialização de animais de genética mais apurada, em leilões, a maior (15%) oferta de fêmeas garantiu que a receita de R$ 1,8 bilhão de 2022 fosse mantida em 2023. O peso da raça Nelore (responsável por R$ 1,6 bilhão) continua como fiel da balança: no ano passado a oferta de 78.088 lotes foi 22% maior do que a de 2012 .

Bons números também vêm das áreas de saúde animal e meio ambiente. Na primeira, sete Estados brasileiros deixaram de vacinar os animais contra a febre aftosa em 2023, elevando para 15 as unidades da Federação que não vacinarão em 2024, com uma economia estimada em R$ 800 milhões para os produtores.

Na segunda, a queda de 22% no desmatamento da Amazônia é muito favorável ao País, num momento em que ganham corpo as discussões sobre créditos de carbono, os “vetores das moedas no futuro”, como destaca o entrevistado desta edição, Ingo Plöger, vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Boa leitura e ótimo 2024.

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