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Anuário DBO | 2025: mais um ano para comemorar na pecuária

Por Moacir José – Editor do Anuário DBO

Até que parecia que o ciclo pecuário iria virar para o lado da alta de preços do boi gordo, como se descreveu no Anuário DBO 2025 sobre o que aconteceria no decorrer do ano passado. Mas os analistas de mercado garantem que ele não virou… O motivo foram os abates recordes de matrizes e novilhas, movimento contrário ao que sinalizaria uma virada de ciclo, que é justamente o processo de retenção dessas fêmeas. Eles representaram 48% do total, nos números oficiais do IBGE nos nove primeiros meses de 2025, um percentual inédito.

Mais importante de se saber se o ciclo virou ou não foram os ganhos, relativamente generalizados, na cadeia da pecuária bovina, que pôde comemorar muita coisa no ano passado.

A começar pelo próprio preço da arroba do boi, que registrou aumento de 18%, na média de 2025 (R$ 315), sobre o número de 2024 (R$ 267). O valor já está deflacionado e superou, também, em 9%, o da média dos últimos 10 anos (289/@), segundo o levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, em Piracicaba. Isso certamente explica, pelo menos em parte, a segunda melhor colocação (6,9%) do segmento de recria-engorda na lista de rentabilidade de atividades produtivas elaborada pela Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). Ela perdeu apenas para a da cana-de-açúcar (8,5%).

Apesar disso, foi um segmento que penou um pouco com os custos de produção, aumentados em função de uma reposição mais cara. Nos cálculos do Cepea (em parceria com a CNA), a receita bruta de fazendas de recria-engorda evoluiu apenas 3% (31% em 2024), ante um custo operacional total que avançou 11% (22% em 2024). Nos confinamentos, a arroba valorizada garantiu rentabilidade positiva (7%), ainda que um pouco menor do que a de 2024 (10%), nos cálculos da empresa de nutrição DSM-Firmenich.

Mas como explicar um valor maior para a arroba, se o abate de animais foi recorde? Na conta da consultoria paulista Agrifatto, foram 42 milhões de cabeças, 3 milhões a mais do que os 39 milhões contabilizados pelo IBGE em 2024. E a produção de carne, no cálculo da Scot, foi a 12,3 milhões de toneladas, ante 11,8 m.t. no ano anterior.

A resposta encerra o outro motivo de comemoração da cadeia: os embarques de carne ao Exterior foram recordes, abocanhando 34% da produção nacional (números da Scot, sem contar miúdos). Pelos dados da Abiec, foram 3,5 milhões de toneladas líquidas (sem osso), 20% a mais do que o embarcado em 2024, com receita de US$ 18 bilhões, 40% maior do que a do ano anterior. Um verdadeiro “trator”, que passou por cima, inclusive, do “tarifaço” de Donald Trump, anunciado em abril e suavizado meses depois. Essa lufada de alívio foi proporcionada, é verdade, pela maior demanda mundial, que fez o preço médio da tonelada de carne brasileira aumentar 16% (de US$ 4.430 para US$ 5.142).

Outro segmento que teve muito a comemorar foi o de leilões de animais de genética apurada de raças de corte. Superou as expectativas de gente que acompanha esse mercado, ao realizar 1.340 remates que venderam o recorde de 104.509 lotes de animais, prenhezes e embriões, com receita (também recorde) de R$ 3 bilhões, 32% superior à de 2024.

Os bons preços da arroba também tiveram efeito no mercado da inseminação, que, na estimativa da Asbia, deve fechar 2025 com crescimento de 8% na venda de doses de animais de raças de corte. No segmento de suplementação (com números de 2025 também não fechados), a expectativa é de que haja crescimento de 4% para as rações. Os suplementos minerais, no entanto, devem recuar 5%, puxados por vendas menores principalmente de sal mineral.

Exceto esse “ponto fora da curva”, deve-se registrar, na lista das boas notícias de 2025, a oficialização do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação ‒ que tem, agora, como tarefa manter esse status ‒; a redução (em 9%) na área desmatada nos biomas Amazônia e Cerrado; e a liberação de R$ 32 bilhões para a recuperação de pastagens degradadas, pelo programa do governo federal.
Boa leitura!

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Até que parecia que o ciclo pecuário iria virar para o lado da alta de preços do boi gordo, como se descreveu no Anuário DBO 2025 sobre o que aconteceria no decorrer do ano passado. Mas os analistas de mercado garantem que ele não virou… O motivo foram os abates recordes de matrizes e novilhas, movimento contrário ao que sinalizaria uma virada de ciclo, que é justamente o processo de retenção dessas fêmeas. Eles representaram 48% do total, nos números oficiais do IBGE nos nove primeiros meses de 2025, um percentual inédito.

Mais importante de se saber se o ciclo virou ou não foram os ganhos, relativamente generalizados, na cadeia da pecuária bovina, que pôde comemorar muita coisa no ano passado.

A começar pelo próprio preço da arroba do boi, que registrou aumento de 18%, na média de 2025 (R$ 315), sobre o número de 2024 (R$ 267). O valor já está deflacionado e superou, também, em 9%, o da média dos últimos 10 anos (289/@), segundo o levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, em Piracicaba. Isso certamente explica, pelo menos em parte, a segunda melhor colocação (6,9%) do segmento de recria-engorda na lista de rentabilidade de atividades produtivas elaborada pela Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). Ela perdeu apenas para a da cana-de-açúcar (8,5%).

Apesar disso, foi um segmento que penou um pouco com os custos de produção, aumentados em função de uma reposição mais cara. Nos cálculos do Cepea (em parceria com a CNA), a receita bruta de fazendas de recria-engorda evoluiu apenas 3% (31% em 2024), ante um custo operacional total que avançou 11% (22% em 2024). Nos confinamentos, a arroba valorizada garantiu rentabilidade positiva (7%), ainda que um pouco menor do que a de 2024 (10%), nos cálculos da empresa de nutrição DSM-Firmenich.

Mas como explicar um valor maior para a arroba, se o abate de animais foi recorde? Na conta da consultoria paulista Agrifatto, foram 42 milhões de cabeças, 3 milhões a mais do que os 39 milhões contabilizados pelo IBGE em 2024. E a produção de carne, no cálculo da Scot, foi a 12,3 milhões de toneladas, ante 11,8 m.t. no ano anterior.

A resposta encerra o outro motivo de comemoração da cadeia: os embarques de carne ao Exterior foram recordes, abocanhando 34% da produção nacional (números da Scot, sem contar miúdos). Pelos dados da Abiec, foram 3,5 milhões de toneladas líquidas (sem osso), 20% a mais do que o embarcado em 2024, com receita de US$ 18 bilhões, 40% maior do que a do ano anterior. Um verdadeiro “trator”, que passou por cima, inclusive, do “tarifaço” de Donald Trump, anunciado em abril e suavizado meses depois. Essa lufada de alívio foi proporcionada, é verdade, pela maior demanda mundial, que fez o preço médio da tonelada de carne brasileira aumentar 16% (de US$ 4.430 para US$ 5.142).

Outro segmento que teve muito a comemorar foi o de leilões de animais de genética apurada de raças de corte. Superou as expectativas de gente que acompanha esse mercado, ao realizar 1.340 remates que venderam o recorde de 104.509 lotes de animais, prenhezes e embriões, com receita (também recorde) de R$ 3 bilhões, 32% superior à de 2024.

Os bons preços da arroba também tiveram efeito no mercado da inseminação, que, na estimativa da Asbia, deve fechar 2025 com crescimento de 8% na venda de doses de animais de raças de corte. No segmento de suplementação (com números de 2025 também não fechados), a expectativa é de que haja crescimento de 4% para as rações. Os suplementos minerais, no entanto, devem recuar 5%, puxados por vendas menores principalmente de sal mineral.

Exceto esse “ponto fora da curva”, deve-se registrar, na lista das boas notícias de 2025, a oficialização do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação ‒ que tem, agora, como tarefa manter esse status ‒; a redução (em 9%) na área desmatada nos biomas Amazônia e Cerrado; e a liberação de R$ 32 bilhões para a recuperação de pastagens degradadas, pelo programa do governo federal.
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