Quatro pontos de análise para o mercado do boi gordo em 2024

CONFIRA a análise do médico veterinário Hyberville Neto, consultor e diretor da HN AGRO

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Por Hyberville Neto – consultor e diretor da HN AGRO

Como fechamento do ano, analisaremos alguns pontos que devem definir o mercado do boi gordo ao longo de 2024. Vamos passar por alguns itens, mais precisamente, quatro.

 1 – Oferta de fêmeas no primeiro semestre

 A época é conhecida por gado oriundo de pastagens e maior participação de fêmeas, com o descarte ocorrido após a estação de monta.


Em relação às pastagens, temos uma situação de chuvas historicamente ruins na maior parte do Brasil Central, Norte e Nordeste. Isso é efeito do fenômeno conhecido como El Niño, que tem sido manchete recorrentemente.

O El Niño é um fenômeno climático relacionado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico, que gera redução e anormalidade das chuvas mais no Norte e Nordeste do Brasil e pluviosidade acima da média no Sul. Os efeitos de clima mais seco têm sido sentidos de maneira generalizada fora da região Sul.

Segundo projeções da Columbia Climate School/IRI, no trimestre terminado em maio de 2024, ainda temos mais de 84% de chance de que o fenômeno esteja presente. Em outras palavras, até o final do período das águas, devemos estar sob influência de um fenômeno que atrapalha o volume e regularidade das chuvas.

Isso pode impactar a disponibilidade de gado no começo de 2024.

Como comentado, outro ponto fundamental na oferta do primeiro semestre é a disponibilidade de fêmeas para abate.

Neste aspecto os preços do bezerro são fundamentais. Pelo cenário de fêmeas de corte em reprodução entre 2021 e 2022 (desmames de 2023 e 2024, respectivamente), associado a outros indicadores de investimento na cria, com a IATF, que diminuiu entre 2021 e 2022, acreditamos em um cenário de menor oferta de bezerros desmamados no próximo ano.

Não esperamos um enxugamento expressivo da disponibilidade de bezerros, a ponto de fazer o mercado explodir, mas alguma evolução das cotações poderia diminuir o abate de fêmeas, pressionando menos a oferta de carne e ajudando nos preços ao longo da cadeia.

2 – Oferta de gado suplementado no segundo semestre

Em boa parte do segundo semestre a oferta de gado depende mais do confinamento ou sistemas suplementados, ainda que não sejam o confinamento clássico.

Na maior parte desses sistemas e dietas, o milho tem um papel fundamental, consequentemente a relação entre os preços desse concentrado energético e do boi gordo define parte importante da viabilidade da engorda e da oferta deste tipo de terminação.

Em meados de 2022, por exemplo, tivemos relações de troca da arroba com o milho historicamente atrativas, isso ajudou a aumentar o volume de gado suplementado ou semiconfinado, ainda que o confinamento tenha diminuído. Em agosto tivemos o maior abate mensal da história.

Com isso, a atratividade da terminação do gado tem forte influência do preço do boi gordo e do milho. Aqui estamos falando de uma aceleração do próprio sistema, pois nos casos de compra da reposição, obviamente o boi magro entra na jogada.

Pensando no preço boi gordo no primeiro semestre, um possível início de retenção de fêmeas (pelo preço do bezerro) seria um vetor positivo. Preços do boi maiores no início do ano poderiam ser irradiados para os futuros e gerar atratividade para semi e confinamento. Aí temos a questão da dieta, do milho.

Há muita coisa para acontecer até a colheita da safrinha de milho, que nem plantada foi.

No entanto, com uma janela impactada pelo mesmo El Niño que afetou as pastagens e atrasou o plantio da soja, é possível que tenhamos ajustes negativos para os números de produção de milho, em área e produtividade. Soma-se a isso o fato de que, mesmo ainda sem cortes de produção expressivos nas estimativas, já temos uma relação estoque final/uso apertada para o ciclo 2023/2024, segundo o relatório da Conab do início de dezembro.

3 – Demanda doméstica

Do lado da demanda doméstica, as expectativas atuais são de crescimento menor em 2024, mas ainda um PIB positivo. Paralelamente temos o movimento de redução das taxas de juros e um desemprego que caiu bem no passado recente.

É fato que há uma quantidade enorme de incertezas quanto a políticas fiscais, segurança jurídica e os rumos de médio prazo da economia, com um governo que não economiza em área nenhuma.

Mas pensando em precificação do boi ao longo de 2024, as expectativas estão relacionadas mais à oferta, do que à força do cenário econômico. Com as projeções atuais, não teremos no mercado doméstico algo que limite altas, se a oferta efetivamente encurtar (menos fêmeas até junho ou menos milho no cocho, na segunda metade do ano).

4 – Demanda internacional

No cenário internacional, a China deve seguir comprando bem, mas sem os saltos de 2019-2021. Notícias positivas poderiam vir da abertura do mercado japonês e/ou sul-coreano para a nossa carne in natura. São grandes importadores (o terceiro e quarto maiores) e já houve abertura do Japão para nossa carne enlatada recentemente.

México e Indonésia têm espaço para comprar mais carne brasileira, mas a Indonésia deve absorver parte das exportações adicionais da Austrália, esperadas pelo USDA para 2024.

Entre os concorrentes, os Estados Unidos estão com a oferta de gado enxuta e Austrália deve aumentar as exportações no próximo ano, segundo o USDA.

A Argentina é um ponto a ser acompanhado. Por um lado, a desvalorização do câmbio beneficia as exportações, por outro, para alguns setores têm sido tomadas medidas no sentido de contrabalancear este efeito, para que isso não pese ainda mais na inflação. É algo a ser observado.

Considerações

  1.  Oferta no primeiro semestre muito dependente do comportamento dos preços do bezerro, frente a uma oferta que, acreditamos, será menor.
  2. Oferta na segunda metade do ano deve ser influenciada pelo ânimo dos preços físicos e futuros na primeira metade de 2024, assim como pelo tamanho dos prováveis ajustes de produção para o milho e preços do cereal (troca).
  3. Demanda doméstica não deve ajudar, mas se não houver mudanças drásticas nas expectativas, estamos falando de algum crescimento, o que não deve impedir um cenário de preços mais firmes, se a oferta de gado diminuir, por um ou mais dos motivos anteriores.
  4. No cenário internacional, devemos ter bons volumes e possível crescimento. Se não houver gatilhos, como aberturas de mercados maiores, não esperamos saltos, como na época de aceleração das compras chinesas.

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail hyberville@hnagro.com.br.

VEJA TAMBÉM | O que o passado nos diz sobre os futuros do boi gordo

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