Ponderações sobre o cenário do mercado do boi gordo

CONFIRA a análise do médico veterinário Hyberville Neto, consultor e diretor da HN AGRO

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Por Hyberville Neto – consultor e diretor da HN AGRO

Normalmente neste espaço trazemos gráficos e números, aprofundando determinada relação, histórico ou ponto. Hoje vamos fazer algumas ponderações sobre o cenário do mercado do boi gordo e as expectativas, mas de maneira mais ampla e menos numérica. Vamos lá.

Recentemente, o mercado ganhou força, mas ao longo do primeiro semestre, os recuos de preços protegeram as margens ao longo da cadeia, mesmo com a oferta consistentemente maior de animais terminados e, consequentemente, de carne.

Tanto no mercado interno como na exportação, as relações da carne com o boi gordo se mantiveram historicamente interessantes. Em outras palavras, há espaço para o frigorífico pagar mais pela arroba, mas no primeiro semestre não houve essa necessidade, porque a oferta estava em alta.

Esperamos que o vetor de mudança do mercado seja a oferta de boiadas, com atenção especial para as fêmeas abatidas.

Para uma redução da venda de vacas e novilhas, temos que observar uma melhoria da situação de rentabilidade do criador. Enquanto para a recria e engorda, temos variáveis adicionais (além do preço de venda) para avaliar os resultados, como custos com engorda e reposição, os resultados da cria basicamente são definidos pelos preços de venda.

Com isso, se o que fata para o mercado é uma redução da oferta (leia-se “de fêmeas”), e as fêmeas saem do mercado quando há melhoria da situação da cria, que, por sua vez, ocorre com preços melhores do bezerro, uma valorização do bezerro tende a ser esse gatilho para um momento melhor de preços.

O cenário de ágio do bezerro está em alta, com a categoria “segurando as pontas” frente ao mercado do boi gordo, que recuou nos últimos meses. Ressalto que o mercado do boi gordo ganhou força nas últimas semanas, essa nossa contextualização falando de recuos refere-se aos últimos meses e não dias.

Se o bezerro cedeu menos, é um indicativo de que a oferta da categoria está um pouco menor. Aqui destacamos que não é uma falta da categoria, mas um início de movimento, assim como em 2022 o abate de fêmeas começou a aumentar. Lembrando que os bezerros da estação iniciada em 2022 e nascidos em 2023 são os que estão sendo vendidos agora.

As exportações seguem boas, com diversos recordes nos últimos meses e historicamente os embarques ainda melhoram no segundo semestre. Em relação ao contexto internacional, a situação nos Estados Unidos ajuda o Brasil de duas formas. O cenário lá, “na pecuária”, com o menor rebanho em décadas e arroba em alta, e “fora dela”, com a manutenção de taxas de juros dando força à moeda do país. Dólar em alta aumenta o poder de compra frente ao nosso produto e diminui ainda mais a competitividade das vendas do produto de lá.

Falando em câmbio, além do cenário global, temos a nossa política fiscal, feita à base de soma nas receitas, sendo que o que precisamos é de muita subtração nas despesas. Isso afeta confiança e expectativas, o que estressa o câmbio.

Dólar em alta não é bom para a economia em médio prazo, pressiona a inflação e influencia numa manutenção de taxa de juros elevada por mais tempo. Isso não é bom para consumo, mas o câmbio em alta no curto prazo reforça o cenário positivo para as exportações de carne.

Em resumo, o cenário de oferta menor do bezerro deve ajudar a reduzir a oferta de fêmeas em um futuro, que não acreditamos estar distante.

Há sinais, como a participação acumulada de fêmeas nos abates em doze meses, que teve a primeira redução em março/24, depois de dezessete altas consecutivas.

Com isso, apesar de o consumo doméstico não estar forte, pela situação econômica cautelosa, ele absorveu bons volumes neste começo de 2024, devido à produção maior (e preços menores). Exportações recordes devem seguir ajudando e, quando a oferta de fêmeas consolidar uma redução, há espaço para pagamentos maiores no mercado doméstico e externo.

Para quem está com gado fechado ou ainda vai confinar, aproveitar a curva de preços futuros positiva é interessante, por sair do risco, do gado que tem data para a venda. No entanto, pensando em médio prazo, para uma arroba sem data tão próxima para a venda (pasto), é interessante que o produtor esteja exposto a possíveis valorizações, seja com opções de compra, seja com arrobas jovens no pasto.

MERCADO PECUÁRIO

No programa Mercado Pecuário do dia 26 de junho, a jornalista Juliana Camargo entrevistou o médico veterinário Hyberville Neto, colunista do Portal DBO e diretor da HN Agro, para avaliar cenário do mercado do boi gordo. Assista AQUI.

Você gostou desta coluna? Tem alguma sugestão ou informação nova?  Por favor, me escreva no e-mail hyberville@hnagro.com.br.

 

 

 

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