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Mais de pouco ou menos de muito?

Vanessa Martins fala sobre a intensificação do sistema de produção na pecuária leiteira

Vanessa Martins - 30/11/2018

Uma discussão antiga e frequente na pecuária leiteira é a intensificação do sistema de produção, principalmente sobre a relação entre o aumento da produtividade das vacas e o custo de produção.

Quando intensificamos um sistema, a tendência é o ganho em escala diluir os custos fixos, ou seja, o aumento do volume de leite produzido com eficiência favorece a redução dos custos fixos por litro, o que é facilmente compreendido e visto na prática.

O custo operacional efetivo (C.O.E.), representa a soma dos gastos de custeio que implicam desembolso. O comportamento do C.O.E. por litro, frente ao aumento do volume de leite, não é tão previsível e, por isso, gera preocupação aos produtores, sobretudo em relação à margem bruta da atividade (somatório das receitas, descontado o C.O.E.).

Os rebanhos com menor produtividade tendem a apresentar um custo operacional efetivo menor por litro, uma vez que os gastos com concentrado e volumoso, por exemplo, principais componentes do custo, são menores. À medida que aumenta a produtividade dos animais, aumenta o fornecimento de alguns insumos, seja em quantidade, seja em qualidade, o que implica aumento do custo operacional efetivo por litro de leite.

Isso é mesmo prejudicial para os resultados econômicos? Para responder a essa pergunta, analisamos o comportamento dos custos com concentrado por litro (Gráfico 1) e com volumoso (Gráfico 2) em 254 propriedades leiteiras. As propriedades foram segmentadas em dez grupos, de acordo com a produtividade das vacas e foram avaliados grupos de animais que produzem menos de 12 litros por dia até grupos de animais que produzem acima de 28 litros por dia.

Gráfico 1: Comportamento do custo com concentrado (R$/L), frente ao aumento da produtividade das vacas em lactação (l/vl/dia).


Fonte: Sebrae Minas. Período: agosto/2017 a julho/2018. IGP-DI: setembro/2018.

Gráfico 2: Comportamento do custo com volumoso (R$/L), frente ao aumento da produtividade das vacas em lactação (l/vl/dia).


Fonte: Sebrae Minas. Período: agosto/2017 a julho/2018. IGP-DI: setembro/2018.

Note que os dois gráficos apresentaram o mesmo comportamento. Propriedades com rebanhos de menor produtividade, de fato, apresentaram menor custo com volumoso e com concentrado por litro. Aumentando a produtividade animal, o custo por litro com volumoso e concentrado tende a aumentar, porém, até certo ponto. Isso porque, após a produtividade de 26 litros, o comportamento do custo com volumoso e com concentrado, por litro de leite, foi de redução. Dessa forma o ganho em produtividade animal foi suficiente para compensar os custos com esses insumos, por litro de leite produzido, revelando maior eficiência, pois foi produzida maior quantidade de leite em relação aos desembolsos com concentrado e volumoso.

A tabela 1 mostra os resultados técnicos e econômicos das propriedades do estrato de menor produtividade (<12 l/vl/dia) e do estrato de maior produtividade (>28 l/vl/dia).

Tabela 1: Resultados técnicos e econômicos.

Fonte: Sebrae Minas. Período: agosto/2017 a julho/2018. IGP-DI: setembro/2018.

Veja que as fazendas de menor escala de produção, com produtividade abaixo de 12 l/vl/dia, têm de fato um C.O.E. menor por litro. Isso permite a elas uma margem bruta unitária maior, mas não permite uma maior margem bruta anual, uma vez que elas têm “mais” margem bruta unitária, porém “pouco” volume de leite. Além da menor margem bruta anual, o custo fixo unitário é alto, resultando em uma rentabilidade anual de apenas 1,23%. Já as propriedades com maior intensificação, com produtividade animal acima de 28 l/vl/dia, apresentam C.O.E. maior por litro e margem bruta unitária menor. No entanto, dada a escala de produção, a margem bruta anual dessas propriedades é quase dez vezes superior a das propriedades com menor intensificação, isso porque elas têm “menos” margem bruta unitária, porém “muito” volume de leite. A maior escala de produção também possibilita a essas propriedades um menor custo fixo por litro, o que permite a elas uma atividade rentável e atrativa economicamente.

O aumento do custo operacional efetivo por litro de leite em detrimento de uma maior escala de produção, não necessariamente é prejudicial aos resultados econômicos. Com a intensificação do sistema, o custo operacional efetivo/litro tende sim a aumentar, porém, visando a rentabilidade, a margem bruta anual é de maior importância que a margem bruta por litro. Afinal, é melhor “menos de muito, do que mais de pouco”!

*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.

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