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14 de novembro de 2018 - quarta

Confinamento: como calcular o retorno do que foi investido?

André Melo traça o passo a passo para dimensionar rentabilidade versus custo do capital

André Melo - 01/11/2018

Depois que discutimos o fluxo de caixa e a dinâmica do dinheiro no confinamento, é hora de avaliarmos o retorno do nosso investimento. Caso queira revisar os artigos desta seção basta clicar: Planejamento, Orçamento e Fluxo de Caixa.

Quando falamos de rentabilidade versus custo do capital, vários são os indicadores que nos auxiliam na avaliação do resultado financeiro do confinamento. No nosso cotidiano da pecuária é muito comum falarmos em lucro por animal.

Rentabilidade

Um indicador importante, portanto, é a rentabilidade. E o que é a rentabilidade? Traduzindo para nosso investimento em confinamento é o “retorno financeiro do capital investido” em animais, nutrição, custos e despesas. Como calculamos a rentabilidade? A rentabilidade é a Relação entre o Lucro Líquido do Confinamento dividido pelo Investimento Total.

No orçamento do nosso case definimos como meta o lucro de R$ 209/cab, ou seja, após abatermos 5.500 cabeças, e honrarmos todos os nossos compromissos (custos e despesas) teremos no nosso caixa R$ 1.150.141. E o total investido, em custeio e capital de giro, foi de R$ 9,5 milhões. Portanto a rentabilidade do nosso case foi de 12% no ciclo operacional 2018/2019.

Agora, que você, pecuarista, calculou a rentabilidade do seu investimento no confinamento, vamos comparar este retorno com outros investimentos. A primeira comparação que sugiro que você faça é da rentabilidade do investimento em confinamento versus a taxa básica de juros do Tesouro ou Taxa Selic. A Taxa Selic é a taxa de remuneração alcançada pelas instituições financeiras com operações de títulos públicos. A Selic é importante, pois norteia a taxa de juros praticada nas linhas de Custeio e Capital de Giro.

Voltando ao nosso case, obtivemos uma rentabilidade de 12%, certo? A taxa Selic até o fechamento desta edição é de 6,5%, portanto obtivemos um retorno acima da taxa básica do mercado financeiro.

A segunda comparação que sugiro que você, pecuarista, faça é da rentabilidade do seu confinamento versus o custo do seu capital. Para isso, duas perguntas são necessárias: qual a participação de capital próprio e de terceiros no seu negócio? A segunda é: quanto custa o capital próprio e de terceiros?

As linhas de financiamento públicas e privadas disponíveis são divididas em Recursos Obrigatórios e Livres. Os Recursos Obrigatórios têm suas taxas de juros, vencimentos e garantias controlados pelo Governo Federal. Os Recursos financeiros Livres são taxados pelas instituições financeiras de acordo com a oferta e demanda de capital e pelo grau de risco do investimento e/ou empresa contratante.

Para traduzir para o nosso negócio do boi, vamos voltar aos parâmetros de nosso case. A tabela abaixo exemplifica a demanda de capital para Custeio e Capital de Giro, suas origens e respectivas taxas de captação:

Para cálculo do custo do capital próprio, usamos a taxa de 7,8% ao ano. Esta taxa representa a o melhor retorno oferecido para aplicações de baixo risco para o montante de R$ 6,4 milhões. Este custo do capital próprio é também definido em economia pelo termo Custo de Oportunidade.

Observem que o Custo Médio Ponderado do Capital (CMPC) do nosso case é de 9,59% ao ano. Comparando a rentabilidade do investimento no confinamento com o CMPC, observamos que o retorno financeiro do confinamento foi superior ao custo do dinheiro.

Ao comparamos a Rentabilidade com o Custo Ponderado do Capital avaliamos:

  • Se o Retorno do Investimento foi suficiente para honrar as despesas financeiras com empréstimos e remunerar o capital próprio;
  • Se tivemos um Retorno do Capital Próprio acima da remuneração de mercado;
  • Se a rentabilidade do investimento proporcionou retornos acima da Taxa de Média de Inflação ou Taxa Básica de Mercado;
  • Se a rentabilidade ou Taxa Interna de Retorno definem a Exposição do Caixa do Confinamento.

Analisando diversos investimentos financeiros em confinamento no Brasil observamos que a demanda de capital é crescente. Quando comparamos a demanda de capital atual com a demanda de cinco anos atrás, necessitamos do dobro de capital para engordar um boi.

Por isso, acredito que a gestão financeira de um confinamento está pautada em um fluxo de caixa equilibrado e uma captação de recursos alinhada ao Retorno do Investimento. Se ainda tem alguma dúvida, não hesite em nos escrever ([email protected]).

*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.

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