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Como “fechar” uma boa dieta no período de seca

Com ajuda técnica, produtor programa com antecedência as compras dos ingredientes do volumoso

Portal DBO - 01/08/2018

O técnico André Carrijo Rodrigues (à esq.) e o produtor Lucas Filgueiras na Fazenda Canaã, em Morrinhos, GO.

Por Fernanda Yoneya

O produtor Lucas Vilela Filgueiras, da Fazenda Canaã, em Mineiros, GO, dá a dica para o período de escassez de pasto: investir na confecção “bem feita” de um volumoso “de boa qualidade e o mais produtivo possível” e, com ajuda de assistência técnica, “fechar uma dieta” com antecedência. “Consigo programar as compras de itens como milho, caroço de algodão, farelo de soja, casquinha de soja, entre outros ingredientes.” Assim, afirma, evita desperdício, oferece um alimento de qualidade às vacas e o custo não pesa no bolso.

Na Canaã, o investimento em irrigação de pastagens garante um alimento mais rico para as vacas mais produtivas durante a seca. Já os animais de menor produção consomem cana-de-açúcar. Vacas de menor produção, vacas secas, animais no pré-parto, novilhas prenhes, vazias, todas essas categorias vão para o cocho na época seca, com uma dieta adequada para cada categoria. Na região, Filgueiras diz que, além da silagem de milho e da cana, são alternativas aos produtores silagem de mombaça e de sorgo forrageiro. “Vale lembrar que, independentemente da forrageira, os cuidados devem ser os mesmos na hora de ensilar e dar aos animais.”

O produtor utiliza a cana há quatro anos e vê como vantagens da gramínea a boa produtividade de matéria seca por hectare, no ganho de peso verificado nos animais de recria e na produção de leite do rebanho. Outro atrativo da cana é o fato de sua maturação fisiológica coincidir com o período de escassez de forragem nas pastagens (na região, vai de maio a setembro).

“As dietas são divididas por produção dos lotes de vacas em lactação e por peso dos lotes de recria. Tendo esses dados em mãos, ajustamos as dietas com a disponibilidade de misturas que temos disponíveis, como ureia, farelo de soja, caroço de algodão, milho, sempre buscando fechar a melhor dieta com um menor custo para obter melhor lucratividade”, diz Filgueiras.

Análise

Para cada alternativa de volumoso, a recomendação é fazer uma análise da sua composição química a cada troca de silo ou de canavial, ou uma amostra a cada 30 dias, para que o técnico possa balancear a quantidade de concentrado e a sua composição.

A Fazenda Canaã, que trabalha com animais jersolando, possui 19 hectares divididos em quatro módulos, cada um com uma gramínea diferente: zuri, mombaça, jiggs e braquiária. A área de mombaça e jiggs (8 hectares), irrigada, é destinada para vacas em lactação – são 135 animais em lactação e produção de 2.230 litros/dia. A área de cana soma 14 hectares e é suficiente para tratar quase todo o rebanho na seca. São 260 animais, entre bezerras, novilhas e vacas secas.

Para vacas com média de 20 litros de leite por dia, a cana-de-açúcar tem se mostrado economicamente viável, de acordo com o zootecnista André Carrijo Rodrigues, que integra o programa Senar Mais Leite. “As principais vantagens são a alta produtividade, com baixo custo por unidade de matéria seca, por estar madura no período da seca e apresentar baixo risco agronômico.”

Como a cana é pobre em proteína bruta (nitrogênio) e em alguns minerais, como o enxofre, é preciso suprir essas deficiências, daí a necessidade de adicionar ureia e sulfato de amônio. “Um outro alimento que não pode faltar é o caroço de algodão ou outro ingrediente que contenha óleo livre. Mas o caroço de algodão tem restrição e não pode ser usado em quantidade maior que 3 quilos por animal, em função de seu excesso de óleo, o que pode causar problemas ruminais”, afirma o zootecnista.

“Além do caroço de algodão, é preciso fazer a correção com farelo de soja, e mais uma fonte de energia (milho), além do núcleo mineral. Com esses ingredientes se fecha uma boa dieta, que pode ser ofertada a qualquer categoria dentro de uma propriedade leiteira, variando somente a quantidade para suprir as exigências nutricionais de cada categoria”, diz Rodrigues.

Outra fonte de alimento é o grão de soja, que é, conforme a Embrapa Gado de Leite, excelente alimento em termos de proteína e energia e pode ser usado no lugar do farelo de soja, “desde que se use com base na sua composição para o balanceamento de dietas”. Seu preço deve ser em torno de 30% menor que o do farelo de soja para valer a pena e para vacas de até 25 kg/dia de leite; não é preciso tostá-la antes de ser fornecida às vacas.

*Matéria originalmente publicada na edição 91 da Mundo do Leite.

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