Brasil, Austrália e EUA seguem caminhos distintos no segmento de corte

Entre os três grandes exportadores mundiais, o Brasil é o país com maior capacidade para atender a crescente demanda pela carne bovina

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Neste momento, o Brasil, Estados Unidos e Austrália, três dos principais produtores e exportadores mundiais de carne bovina, vivenciam situações distintas na pecuária de corte.

O Brasil, líder absoluto nos embarques da proteína vermelha no mundo, seguirá elevando as suas exportações anuais, além seu rebanho de bovinos. Os abates brasileiros, que recuaram em 2021, também devem crescer este ano, apostam os analistas.


Enquanto isso, as exportações de carne bovina da Austrália atingiram, no ano passado, o menor patamar dos últimos 36 anos, reflexo de uma redução drástica de seu rebanho, que foi afetado duramente por uma longa estiagem.

No entanto, o país da Oceania está conseguindo reconstruir rapidamente o seu plantel, que, segundo estimativa da Meat & Livestock Australia, registrará um acréscimo 1,1 milhão de cabeças em 2022.

Com isso, segundo estimativa do USDA, os embarques australianos de carne bovina podem superar o patamar de 1,4 milhão de toneladas em 2022, um crescimento de 10% sobre o resultado obtido em 2021.

Por sua vez, os embarques de carne bovina dos EUA bateram recordes históricos de volume e valor em 2021, mas o seu rebanho bovino do ano passado sofreu uma redução acima da queda projetada inicialmente pelos analistas do setor.

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Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o estoque total de 1º de janeiro de 2022, de 91,902 milhões de cabeças, recuou 1,88 milhão de cabeças, ou 2%, em relação ao contingente registrado em 1º de janeiro de 2021.

O rebanho bovino de corte dos EUA atingiu o pico em 2019, mas tem diminuído nos últimos dois anos, relata o economista Derrell Peel, da Oklahoma State University.

Dados publicados no Anuário DBO 2022, em circulação neste mês, mostram que o plantel brasileiro deve atingir novo recorde este ano, alcançando um efetivo de 230,4 milhões de cabeças, o que representaria um crescimento de 3% sobre o efetivo de 2021, de 223,7 milhões de cabeças, segundo estimativa da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP.

As altas nos preços do boi gordo e do bezerro, além do crescimento nas exportações de carne bovina, contribuíram para o avanço do plantel brasileiro nos últimos anos.

Com esse quadro, os embarques brasileiros devem registrar avanço neste ano, segundo as consultorias que acompanham o setor (veja mais informações no Anuário DBO 2022; CLIQUE AQUI).

Em artigo publicado pelo portal australiano da Beef Central, o analista Steve Kay, editor do boletim Cattle Buyers Weekly, diz que a pecuária de corte na Austrália e nos EUA está se movendo em direções opostas.

Como já mencionado, o rebanho australiano está em plena reconstrução, mas as exportações de carne bovina do país tiveram desempenho ruim em 2021 e ficaram bem abaixo de 900.000 toneladas, o seu nível mais baixo em pelo menos 36 anos.

Em janeiro último, os embarques da Austrália caíram para um dos volumes mensais mais baixos já registrados em sua história, depois que a variante ômicron (da Covid-19) se espalhou entre os funcionários dos abatedouros,  afetando a produção dos frigoríficos.

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Em contraste, a seca em partes das áreas de pecuária dos EUA e os altos custos em relação aos preços do bezerro levaram a um corte maior do que o esperado no rebanho bovino norte-americano em 2021.

Os números em declínio refletem um terceiro ano de liquidação do rebanho bovino dos EUA, com perspectivas de um quarto ano de abates excessivos em 2022, segundo os relatos de Steve Kay publicados no portal da Beef Central.

Porém, com a redução do rebanho, os preços de todas as categorias de bovinos devem subir nos EUA ao longo deste ano, favorecendo o bolso dos pecuaristas norte-americanos, afirmam os analistas.

Segundo estimativa do economista Derrell Peel, da Oklahoma State University, os preços do gado norte-americano devem subir entre 8% e 12% em média este ano.

Segundo a Federação de Exportação de Carne dos EUA (USMEF), os embarques norte-americanos atingiram patamares recordes em 2021, superando a casa dos US$ 10 bilhões em faturamento.

O atual presidente da USMEF, Mark Swanson, disse que “todos os setores ligados à carne bovina se beneficiaram com o avanço das exportações norte-americanas e com o aumento de dólares fluindo de volta para a cadeia de suprimentos”.

Em volume, as exportações de carne bovina dos EUA totalizaram em torno de 1,5 milhão de toneladas no ano passado, um aumento de 16% em relação ao resultado de 2020.

De acordo com avaliação do analista Steve Kay, os volumes de exportação de carne bovina dos EUA provavelmente permanecerão altos pelo menos ao longo do primeiro semestre de 2022. No entanto, diz ele, o menor rebanho bovino e a redução na safra de bezerros afetarão a capacidade dos EUA de manter os seus níveis de exportação alcançados em 2021.

“Essa é uma boa notícia para a indústria australiana, principalmente considerando as vendas para o Japão e a Coreia do Sul (dois dos mercados mais importantes para os EUA e a Austrália, e onde o Brasil ainda não tem acesso)”, afirma o analista.

O último relatório do USDA mostrou que o número de vacas de corte dos EUA caiu 719.000 cabeças (ou 2,3%) em 2021, para 30,125 milhões de cabeças. Trata-se do menor patamar desde 2015.

Estiagem continua – Cerca de 70% das áreas de pecuária dos EUA sofrem atualmente com a seca, incluindo parte do Texas e Oklahoma, onde a estiagem é mais severa e generalizada.

Segundo economista Derrell Peel, da Oklahoma State University, a seca não é uma novidade nos EUA. A grande diferença agora é a sua localização. “A seca mais severa do ano passado foi nas Dakotas, no leste de Montana e Nebraska, o que levou muitos produtores a liquidar rebanhos e causou impactos em todo o país, mas nada que fosse realmente grave”, relembra ele.

Porém, continua Peel, a seca mudou-se para Oklahoma, Texas e Kansas, onde reside mais de um quarto do rebanho bovino de corte dos EUA, locais que registraram pouca estiagem no ano passado.

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“Um cenário de seca semelhante ocorreu em 2011, quando 1 milhão de vacas de corte foram liquidadas em um ano”, recorda o economista, que acrescenta: “Estamos vulneráveis ​​a outra liquidação adicional significativa”.

Lugares que tiveram seca no ano passado liquidaram vacas suficientes para sobreviver neste inverno. Ainda assim, se as condições de seca persistirem, pode haver ainda mais fazendas que serão forçadas a liquidar.

Cerca de 3,5 milhões de vacas de corte foram abatidas nos EUA em 2021. Peel acha que a seca adicionou mais de 350.000 vacas a esse total. O abate total de gado aumentou de 3,2% no ano passado em comparação com 2020.

“Os números de abate de novilhos e novilhas cresceram, e o abate de vacas de corte aumentou 9%, um sinal claro de liquidação do rebanho”, ressaltou Peel.

A safra de bezerros de corte dos EUA atingiu o pico em 2018, e o rebanho bovino chegou ao seu patamar máximo em 2019. Isso é um sinal claro de que, mais cedo ou mais tarde, haverá uma redução no número de bovinos que passam pelo sistema, relata o economista (Fontes: portais da Beef Central e Beef Magazine).

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