Você está aqui:
//Carlos Nabinger: em defesa dos campos nativos

Carlos Nabinger: em defesa dos campos nativos

Professor da UFRGS diz que é possível produzir muito mais carne nos campos nativos do Sul

Portal DBO - 12/11/2018

Mais do que um especialista, Carlos Nabinger é uma referência quando se fala em campos nativos e um apaixonado por essa vegetação característica do bioma Pampas. Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 1977, ele dedicou décadas de sua vida acadêmica à pesquisa e à defesa dos campos nativos.
Em entrevista à DBO, ele contou detalhes de sua trajetória e de uma descoberta que tenta comunicar a quem cruza seu caminho: “Jamais imaginei que a vegetação nativa tivesse tamanha capacidade produtiva”. Da surpresa, veio o estalo. “Nosso potencial está aqui, no campo nativo, que somente não se expressa porque o manejamos mal, fazemos superpastejo, não adubamos”. Mas a luta para difundir essa mensagem não tem sido fácil. Confira trechos da entrevista concedida pelo professor, que está de mudança para o Uruguai, ao repórter Renato Villela.

Renato – Qual é o retrato atual dos campos nativos no Rio Grande do Sul? Continuam desaparecendo?
Nabinger – Estima-se que restem apenas 4 dos 12 milhões de ha originais, ou seja, pouco mais de 30%. Entre 1970 e 1996, tínhamos uma perda anual de 140.000 ha por ano. De 1996 a 2006, esse montante passou a 340.000 ha anuais, em função do boom da soja, que estava restrita à metade norte do Estado, praticamente fora do bioma Pampa, mas avançou para o sul nas áreas de tradição pecuária, por causa da valorização da cultura. Hoje, o ritmo de desaparecimento dos campos nativos diminuiu um pouco, porque acabaram as áreas com bons solos para o cultivo da soja na região.

Renato – Além da pressão da soja, existe a crença entre os produtores de que os índices zootécnicos e de produtividade obtidos em campo nativo são baixos. Procede?
Nabinger – Não, mas tem sua razão de ser. Essa crença existe porque não conseguimos transferir informações e tecnologias aos pecuaristas para ajudá-los a explorar todo o potencial produtivo dos campos nativos, melhorando sua rentabilidade. Veja: a produção média dos sistemas de recria/engorda no Rio Grande do Sul é 60 kg de carne/ha/ano, em média; considerando-se o quilo vivo a R$ 5, na melhor das hipóteses, o produtor tem uma receita bruta de R$ 300/ha. Aí, chega o sojicultor e oferece 6 sacos de soja/ha para arrendar
a terra. A R$ 80 a saca, são R$ 480/ha, sem fazer esforço algum. E olha que tem gente oferecendo até 12 sacas de soja/ha. Os pecuaristas não resistem a essa oferta e entregam a área, porque não acreditam que, com tecnologias de baixo custo, é possível aumentar consideravelmente a produção de carne/ha no campo nativo.

Renato – Professor, por que os argumentos da pesquisa não estimulam o produtor a apostar no campo nativo?
Nabinger – Na minha opinião, a academia precisa ir mais a campo. Cada vez mais ela tem se valido de modelos, de simulações sem participação do produtor. Os trabalhos não são feitos a partir da demanda dele, mas daquilo que o pesquisador enxerga e que acha que é importante. É preciso ter a sensibilidade de interagir com o produtor, de modo a inverter esse processo. Não é a pesquisa que tem que oferecer serviços ao campo, é o campo que tem de demandar o que necessita.

Veja reportagem completa na edição de outubro de DBO.
Se quiser adquirir a revista que traz esta reportagem, clique em Exemplar Avulso.

This Is A Custom Widget

This Sliding Bar can be switched on or off in theme options, and can take any widget you throw at it or even fill it with your custom HTML Code. Its perfect for grabbing the attention of your viewers. Choose between 1, 2, 3 or 4 columns, set the background color, widget divider color, activate transparency, a top border or fully disable it on desktop and mobile.
X