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Bem-estar animal: Não escorregue nessa hora…

Com as chuvas, aumentam os problemas de locomoção e conforto das vacas leiteiras

Portal DBO - 07/11/2018

Nas águas, é preciso criar rotas alternativas até os piquetes. Foto: Fernanda Yoneya

Por Fernanda Yoneya

Produtores de leite devem ficar atentos no período das águas para garantir o máximo de conforto aos animais. Isso porque situações que causem algum tipo de stress nas vacas – como formação de lama – podem interferir na ingestão de alimento pelo animal, favorecer o surgimento de doenças oportunistas e afetar a produção de leite.

Um ambiente confortável, de acordo com o professor Mateus Paranhos da Costa, da Unesp de Jaboticabal, SP, é aquele que oferece condições adequadas de ventilação, temperatura e umidade, além de superfícies macias, limpas e livres de barro. “O animal deve ter fácil acesso à água, ao alimento e ao local de descanso. A chuva causa um efeito no ambiente, que é a formação de lama. Os animais não gostam de lugar enlameado, causa desconforto. Sob stress, a vaca come menos e, consequentemente, produz menos”, resume Paranhos, que é coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Etco).

Problemas respiratórios, pneumonia, diarreia, mastite (inflamação da glândula mamária) e problemas nos cascos são algumas das doenças oportunistas às quais os animais ficam mais suscetíveis na época de chuvas. Vacas leiteiras têm dificuldades para se locomover por caminhos escorregadios, com lama, lembra o professor. “O acúmulo de lama nas áreas de trânsito das vacas é um dos problemas mais comuns durante a estação de chuvas. Para minimizar este problema é recomendado ter caminhos alternativos para a condução das vacas até a sala de ordenha e vice-versa”, afirma Paranhos. Isso, explica, evita a sobrecarga em determinadas áreas de trânsito dos animais e a formação de atoleiros. “Em trechos mais críticos deve-se retirar a lama e usar cascalho para fazer a compactação da área, com o cuidado de não deixar pedras soltas ou pontas salientes.”

Para reduzir o risco de escorregões ou quedas nos deslocamentos dos animais, o produtor deve manter as áreas livres de fezes e de umidade, utilizar pisos com ranhuras e usar tapetes de borracha, que podem ser instalados onde os animais passam muito tempo, como a sala de ordenha. “O produtor tem de observar o comportamento das vacas ao caminhar. Se houver casos frequentes de quedas ou escorregões ou se as vacas caminharem muito devagar, provavelmente o piso é inadequado. Quando a vaca se sente segura, ela caminha mais rápido.”

Para minimizar problemas com a formação de barro, uma alternativa é manter os “caminhos” percorridos pelos animais em boas condições, confortáveis para os deslocamentos do rebanho e que não machuquem ou deixem os cascos “moles”, o que pode provocar pequenos ferimentos a favorecer doenças infecciosas.

Descanso

Além da criação de “rotas alternativas” para as vacas, é preciso oferecer aos animais um local de descanso adequado. “Adequado significa seco e confortável”, diz o professor. Uma opção é instalar piquetes em área que permita o escoamento da água das chuvas e com solo de boa drenagem. Em áreas próximas a cochos e bebedouros, se houver formação de lama, a recomendação é raspar e retirar lama e dejetos acumulados. Em algumas propriedades, para evitar esse tipo de problema, a área no entorno dos cochos e bebedouros é “concretada”, de acordo com o professor. “A formação de lama próximo aos cochos e bebedouros pode aumentar a incidência de problemas de casco e reduzir o consumo de água e alimento, afetando diretamente a produção leiteira.”

Pensando na área de descanso das vacas, o professor Paranhos afirma que o concreto é duro e abrasivo, o que pode causar problemas em articulações e nos cascos. Nesse caso, a recomendação é investir em uma “cama” para evitar o contato direto do animal com o concreto no período de descanso das vacas. Há várias opções de material, mas é preciso pesar prós e contras de cada um.

O uso de areia para a “cama” tem como vantagens o fato de ser mais fresca que a borracha, oferecer maciez e não favorece a proliferação de microrganismos causadores de mastite. Os contras são a exigência de reposição frequente e de manutenção diária, tanto para a reposição quando para a retirada do material contaminado por fezes e urina. “O produtor também tem de avaliar se o custo é viável. Ideal é fazer uma camada de cerca de 10 centímetros, remover diariamente partes contaminadas e fazer a troca de toda a areia quinzenalmente.”

Já materiais como palha de arroz e serragem, por facilitarem a proliferação de microrganismos, elevando o risco de mastite, exigem manutenção constante, também com a retirada do material com fezes e urina e reposição da cama. Propriedades utilizam, ainda, revestimento com piso emborrachado, que é de fácil limpeza e não requer manutenção frequente. Tem como desvantagens o fato de não ser macio e o custo mais alto.

Na Fazenda Santa Luzia, em Passos, MG, o gestor da propriedade, Maurício Silveira Coelho, conta que, para a época de chuvas, principalmente em dezembro e janeiro, a fazenda dispõe de mais de uma opção de corredor para o deslocamento dos animais. “Para ir ao mesmo piquete, a vaca tem duas ou três opções de corredor. Se tem problema de barro, isolamos esse corredor e o animal usa o caminho alternativo, sempre bem conservado”, diz Coelho. Um desses corredores utiliza uma camada de 15 centímetros de pó de brita umedecido e compactado. “Fica muito resistente, semelhante ao concreto. Porém, sem a abrasividade do concreto. Funciona muito bem”.

A utilização de pisos com ranhuras facilita o deslocamento no curral. Foto: Fernanda Yoneya

A propriedade produz leite a pasto. São cerca de 1.800 vacas girolando em ordenha, com produção de 40 mil litros de leite por dia. “Um dos gargalos da produção a pasto é justamente dar conforto para as vacas, já que os animais estão expostos ao sol e a chuvas. Elas precisam caminhar para buscar alimento, então tentamos, por meio do ajuste de taxas de lotação, encurtar essa distância entre a sala de ordenha e os pastos, o que ajuda a reduzir eventual desconforto.” Na Santa Luzia, o gestor diz que é adotado o uso preventivo de pedilúvio, à base de sulfato de cobre e formol a 5%. “Nas águas, os animais passam por esse pedilúvio diariamente. Em períodos menos chuvosos, a frequência é de três vezes por semana.” A recomendação do professor Paranhos é que o pedilúvio seja precedido por um lava-pés que contenha apenas água, para remover o excesso de sujeira dos cascos. “Mantenha o pedilúvio sempre limpo, trocando a solução regularmente, pois pedilúvios sujos podem facilitar disseminação de contaminações.”

*Matéria originalmente publicada na edição 93 da revista Mundo do Leite.

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