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///Antibiótico deve ser usado de forma racional

Antibiótico deve ser usado de forma racional

Antes de utilizar, o produtor deve ter certeza de que o animal realmente precisa receber a medicação

Portal DBO - 21/09/2018

Por Cris Olivette

Considerados fundamentais para o tratamento de doenças infecciosas que atingem o gado leiteiro, os antibióticos não devem ser utilizados a torto e a direito. “O uso deve ocorrer exclusivamente para o tratamento de vacas doentes. Utilizar antibióticos sem necessidade real aumenta o risco de o animal desenvolver resistência, reduzindo a eficácia quando houver necessidade de usá-los”, afirma o professor Marcos Veiga dos Santos, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

Sua opinião é endossada pela professora Carla Maris Machado Bittar, do Departamento de Zootecnia da Esalq/USP. “Antes de usar antibióticos, o produtor deve ter certeza de que o animal realmente precisa receber a dose. Vemos que o uso muitas vezes é realizado sem nenhum critério, tanto nas vacas como nos animais em crescimento.”

Além do risco de desenvolvimento de resistência ao medicamento, Santos afirma que durante e após o término do tratamento, tanto o leite quanto a carne apresentam elevada concentração de resíduos dos componentes do remédio. “Sendo assim, é importante respeitar o período de carência, que varia conforme o produto e está especificado na bula. Durante esse prazo é necessário realizar o descarte do produto, porque há risco à saúde.”

Resíduos

Os resíduos de antibiótico no leite são prejudiciais à saúde humana por duas razões principais, diz Carla Bittar: reações alérgicas em uma parcela da população que apresenta hipersensibilidade a determinados grupos de antibióticos como penicilinas e sulfas; e pelo risco de desenvolvimento de resistência, assim como ocorre com os animais.

Segundo Veiga dos Santos, outro problema causado pelo leite com resíduos do medicamento é a alteração na fabricação de derivados lácteos fermentados, como iogurtes e queijos. “Atualmente, as empresas de laticínios fazem testes rápidos de triagem para detectar resíduos de antibióticos em todos os lotes de leite recebidos, usando como referência limites legais estabelecidos na legislação.”

A legislação brasileira segue os limites de tolerância de resíduos de antibióticos definidos internacionalmente pelo Codex Alimentarius, da FAO/OMS. “Produtores que não respeitam o período de carência dos antibióticos correm o risco de ter prejuízos em razão da perda do leite enviado ao laticínio, além do risco de terem de pagar pelo leite de outros produtores que tiveram o leite contaminado com resíduos.”

Santos conta que de 80% a 90% da ocorrência de resíduos de antibióticos no leite acontece, principalmente, durante o tratamento de mastite. (inflamação da glândula mamária causada, normalmente, por bactérias). “As boas práticas de produção de leite seguro e de alta qualidade determinam a necessidade de ter recomendação de veterinário para o uso de antibióticos, bem como a anotação rigorosa das vacas tratadas, duração do tratamento e período de descarte, incluindo o descarte no período de carência descrito na bula.

Carla afirma que muitos produtores oferecem esse leite aos bezerros. “Nesse caso, o que fazem é transferir o problema ao bezerreiro”, diz a especialista em nutrição de bezerros. A professora afirma que tal ação causa muitos problemas. “Além de ser um leite de baixa qualidade, tem alta carga microbiana, resíduo de antibiótico e não possui os mesmos nutrientes que o leite saudável. Ao ingerir esse alimento os bezerros têm diarreia, o que obriga o produtor a gastar mais para tratar o novo problema. É uma bola de neve que vai crescendo dentro do sistema como um todo. Os produtores precisam resolver o problema na sala de ordenha, para reduzir ao máximo a ocorrência de mastite.”

Santos também considera como prioridade para o controle de resíduos de antibióticos a adoção de medidas preventivas para evitar a mastite. “Quanto maior o sucesso na prevenção, menor a necessidade de uso de antibióticos. Também é essencial não utilizar produtos que não sejam indicados às vacas em lactação.”

“Alguns produtores oferecem o leite de descarte às bezerras mais velhas, que têm intestino mais maduro e maior imunidade para lidar com a carga microbiana, mas não é o ideal”, diz Carla. “Outros produtores realizam processo de pasteurização, ou fornecem somente para os machos. Mas o recomendável é o descarte total.”

Descarte correto

De acordo com o professor Marcos Veiga dos Santos, o leite de descarte deve ser depositado junto com os demais dejetos orgânicos e de limpeza, de acordo com o sistema de tratamento de dejetos da fazenda. “De forma geral, as propriedades usam um local de armazenamento de dejetos e após fermentação aeróbica, podem ser usados como fertilizante. O leite de descarte não gera contaminação no ambiente em razão da presença de resíduos de antibióticos, mas sim pela presença da matéria orgânica do leite.”

O professor diz que há no mercado antibióticos injetáveis com descarte zero. “Quando usados na indicação de bula e na dosagem recomendada apresentam resíduos dentro dos limites permitidos. No entanto, para o tratamento de mastite clínica leve e moderada, não existe antibiótico intramamário com descarte zero.”

*Matéria originalmente publicada na edição 92 da Revista Mundo do Leite.

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