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10 de dezembro de 2018 - segunda

Aftosa: PR mantém meta de retirar vacinação em 2019

Programa estadual de combate à doença será auditado pelo Mapa entre agosto e setembro

Portal DBO - 13/07/2018

Foto: FAEP.

Por Thuany Coelho

Dez anos após retomar o status de livre de febre aftosa com vacinação, o Paraná se prepara para tentar antecipar o fim da imunização no Estado. Integrante do Bloco V, que pelo cronograma do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está agendado para parar de vacinar em 2021, o Estado pretende que a campanha de vacinação de maio de 2019 seja sua última. Para isso, ainda precisará passar por auditoria do Mapa este ano e convencer parte do setor produtivo de que chegou o momento de interromper a imunização.

No início de 2018, o serviço veterinário do Estado passou por auditoria ampla do Mapa e obteve bons resultados, segundo Rafael Gonçalves Dias, gerente de saúde animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). “Temos algumas questões para serem corrigidas, porque nunca vai estar tudo 100%, mas já estamos com um plano de ação para isso”. De acordo com ele, em relação especificamente ao programa de combate à febre aftosa, nenhuma inconformidade importante foi encontrada. “Ele foi muito bem avaliado. De uma escala de 0 a 5 tirou nota 4”.

A nova auditoria, que deve ocorrer em agosto ou setembro, focará exclusivamente no programa de febre aftosa, com atenção especial para o controle do trânsito de animais nas fronteiras – o Paraná faz divisa com São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraguai e Argentina. Além dos 33 postos de vigilância já existentes, três novos nas divisas com São Paulo (Santa Mariana, Ribeirão Claro e BR-116) estão sendo viabilizados pelo Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec-PR) e há uma lei que permite que todo posto da Polícia Rodoviária Estadual faça fiscalização de trânsito agropecuário, de acordo com Dias. “Então são mais de 40 pontos onde também podemos fazer nossas operações volantes”.

A questão do fechamento do trânsito de animais vindos de lugares sem o status de livre sem vacinação é o ponto que gera polêmica no setor produtivo. Para Ronei Volpi, presidente da comissão de leite da Federação de Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) e diretor-executivo do Fundepec, o comércio de animais com outros Estados é irrisório perto do tamanho do rebanho paranaense, e a retirada antecipada traria muitos benefícios para todo o setor de proteína animal – não apenas para a pecuária bovina -, já que o novo status possibilitaria a abertura de mercados mais exigentes – e que remuneram melhor – para as carnes paranaenses. “Na verdade é uma retirada tardia, porque já poderíamos ter feito isso e colhido os frutos”.

Já Afrânio Brandão, diretor-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), acredita que a antecipação da retirada tem potencial para prejudicar produtores que compram bezerros de outros Estados para engordar na entressafra. “Nossa produção interna não é suficiente e isso vai aumentar o preço interno do bezerro”, diz. Além disso, a importação de genética e animais para abate também poderia ser prejudicada. “Mas está sendo avaliada a viabilidade de liberar que lotes lacrados de animais de outros Estados sigam diretamente para os frigoríficos”. Ele ressalta que a SRP é favorável à retirada da vacinação, não de antecipar, porque isso isolaria o Estado – e a espera para fazer o processo com o Bloco V é de dois anos, pouco tempo na visão dele. “E se há uma forma de diminuir esses impactos, então precisamos discutir isso antes que a decisão seja tomada para não causarmos prejuízo a uma atividade”.

De acordo com a Adapar, de janeiro a setembro de 2017 (dados mais atualizados), entraram no Estado, para cria a engorda, 71,6 mil animais, o que é equivalente a 0,7% do rebanho bovino, estimado em 2016 pelo IBGE em 9,48 milhões de cabeças.

O que parece ser de concordância geral é a capacidade do serviço de defesa em realizar a retirada da vacinação. “Não há Estado em melhor condição do que o Paraná para parar de vacinar”, afirma Volpi. Brandão concorda que a Adapar tem se preparado bem para o momento, mas que “preocupação sempre existe”. O gerente de saúde animal da Agência diz que o desafio é grande e que a comprovação da capacidade de antecipar a retirada só virá depois da próxima auditoria do Mapa, mas que acredita em um resultado positivo. “Contratações sempre serão necessárias, mas, hoje, temos equipe extremamente técnica e capacitada, e condições de ter o mesmo status de Santa Catarina”.

Em relação a uma possível reintrodução da doença após o fim da vacinação, Volpi diz que de acordo com estudo da Universidade de Brasília (UNB), encomendado alguns anos atrás, quando o Estado já se planejava para a retirada, os recursos do Fundepec – atualmente em cerca de R$ 75 milhões – devem ser mais do que suficientes para cumprir os protocolos da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e retomar rapidamente o status. “Não gastaríamos 10% do que está depositado”.

Caso o Mapa dê sinal verde para a antecipação da retirada, caberá ao governo do Estado a decisão de seguir em frente com o pleito. Como a decisão possivelmente ocorrerá em um momento de transição de governo, as entidades já têm tratado do assunto com pré-candidatos.

Importância dos produtores

O gerente de saúde animal da Adapar reforça que é preciso que os produtores continuem vacinando até que a comunicação sobre a retirada seja oficial. “A suspensão da imunização não pode desmotivar o produtor a vacinar seus animais. Precisamos ter imunidade suficiente do rebanho para fazer a retirada, então é necessário manter o índice de vacinação acima dos 95%”, explica.

Quando o processo de retirada for iniciado, a Adapar fará teste sorológico (por amostragem) nos bovinos do Estado para confirmar que não há circulação viral. “E a notificação de qualquer suspeita de lesão vesicular é fundamental. Se o produtor não fizer isso, independente do que achar que possa ser o problema, o sistema fica frágil”, afirma Dias. “Assim, no momento em que houver qualquer caso, vamos conseguir agir o mais rápido possível e evitar uma disseminação maior da doença, resultando em prejuízos menores”. Ele explica que, a partir do fim da vacinação, a vigilância ativa também será intensificada, com servidores da Adapar indo a campo para verificar a situação dos animais, principalmente em regiões de fronteira com outros Estados e países.

Fonte: Portal DBO.

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