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Giro Rápido: fique por dentro das novidades da pecuária

Confira os destaques da seção ‘Giro Rápido’ da Revista DBO de setembro

30 anos do Imaflora comemorados em grande estilo

Um evento com palestrantes de alto nível, presença de um público (820 pessoas) representativo de vários segmentos (produtores, lideranças indígenas, quilombolas, empresas, governo, ONGs), e permeado por ações culturais (fotografia, música, pintura, cinema), além de uma pequena feira de produtos e oficina de plantio para crianças.

Assim foi o “Aterra”, evento comemorativo dos 30 anos do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), ocorrido nos dias 20 e 21 de agosto, no Sesc Santo Amaro, na capital paulista. Durante a abertura, a diretora executiva da organização, Marina Piatto, destacou que é preciso “valorizar o que nos une”, vislumbrando um futuro em que se possa produzir sem destruir, numa ideia de que proteger é um ato coletivo. “Clima, água e floresta são elementos indissociáveis nesse processo”, lembrou.

A pecuária sustentável mereceu um painel, com participação de dois representantes do Estado do Pará. O pecuarista e líder classista Mauro Lúcio Costa fez uma rápida exposição sobre o processo de transição para a produção sustentável, mostrando dados de sua fazenda, a Marupiara, em Tailândia (PA). Nos 870 ha de área útil desta propriedade (20% do total), ele consegue lotação de 8 cabeças por hectare. “O uso da tecnologia precisa ser inclusivo”, conclamou. A Marupiara foi a primeira propriedade a conseguir o selo ouro do Programa de Boas práticas Agropecuárias da Embrapa, em 2010.

Vendas de sêmen crescem 14% no 1o semestre

A produção e comercialização de sêmen cresceu 14% no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). O avanço foi impulsionado pela produção nacional, que cresceu 15,5% e ultrapassou 13 milhões de doses, e pelas importações, que cresceram 10,5% no período. “Os números evidenciam o dinamismo do mercado interno e a maior adesão dos pecuaristas às tecnologias reprodutivas”, diz Lilian Matimoto, executiva da Asbia.

Fêmeas pagarão menos imposto

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) comemorou a decisão do governo estadual de reduzir em 30% a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sobre o abate de fêmeas bovinas. De acordo com a entidade, a medida corrige uma distorção histórica que penalizava os produtores ao equiparar a tributação de machos e fêmeas, mesmo com diferenças significativas no valor de mercado e no peso das carcaças.

“Sempre defendemos que não era justo tributá-los da mesma forma. Foram anos de conversas, mostrando ao governo e à sociedade a importância dessa diferenciação. Nossa luta foi reconhecida, e o governo teve a sensibilidade de acatar essa proposta”, destacou Oswaldo Pereira Ribeiro Jr, presidente da Acrimat.

Brasil emite 6% mais metano

O Observatório do Clima, rede de cientistas que reúne 162 institutos de pesquisa e organizações engajadas na agenda climática, divulgou, em 17 de agosto, um balanço inédito sobre as emissões de metano do Brasil. Segundo o estudo, elas aumentaram 6% em quatro anos (2020 a 2023), chegando a 21,1 milhões de t.

A agropecuária respondeu por 75,6% dessas emissões, com 14,5 milhões de toneladas somente em 2023, sendo 98% desse valor proveniente da pecuária, por meio do “arroto do boi”. O seugundo maior emissor foi o setor de resíduos (3,1 milhões de t), seguido pelas mudanças no uso da terra e florestas, com destaque para as queimadas (1,33 milhão de t); setor de energia (50.000 t); processos industriais, uso de lenha e emissões por vazamentos/escapes de petróleo (0,02 milhões de t).

Calculadora de GEE’s

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Embrapa e o Instituto 17, lançou, no dia 12 de agosto, uma plataforma para calcular emissões de metano e óxido nitroso, dois gases de efeito-estufa. Chamada de ABC+Calc, a ferramenta ficará a cargo do setor público (Mapa e órgãos estaduais), mas a ideia é manter os dados disponíveis na plataforma para consultas. A princípio, a calculadora medirá emissões relacionadas ao manejo de rejeitos sólidos da produção animal (suínos, aves de postura, bovinos de leite e bovinos de corte). Cerca de 5,7% das emissões de metano brasileiras vêm desses resíduos e a calculadora poderá ajudar a traçar ações governamentais mais precisas para mitigá-las.

Banvaco é inaugurado

Ottorino Cosivi, diretor do Panaftosa/OPAS, oficializa a inauguração do Banvaco. Foto: Ana Peralta

O Banco Regional de Antígenos para Febre Aftosa (Banvaco) foi finalmente inaugurado. A assinatura que sacramentou sua criação foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), dia 28 de agosto, num evento que reuniu representantes de saúde animal do Brasil, Paraguai e Equador, os três países membros, além do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), sob a coordenação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa).

O objetivo da criação de um banco sul-americano de vacinas e, principalmente, de antígenos, é garantir uma reserva estratégica de todos os sorotipos virais de febre aftosa que possam ser considerados um risco para os países da região. A medida faz parte das ações preventivas em caso de reintrodução da doença.

Abertura restrita

As negociações para abrir o mercado do Japão à carne bovina brasileira estão causando uma certa inquietação, devido à possível habilitação de plantas somente da região Sul (SC, RS e PR), apesar de esses Estados responderem por apenas 4% da quantidade de carne exportada pelo País.

A exclusão dos demais Estados das negociações tem incomodado empresas de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, que garantem 60% das exportações. Essas empresas esperavam uma abertura mais ampla do Japão à carne brasileira, principalmente após o País ser reconhecido como livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal.

Gado vivo na mira

A União Nacional de Pecuária (Unapec) manifestou oposição ao Projeto de Lei no 2.627/2025, de autoria da deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), que prevê encerrar gradativamente a exportação de gado vivo por parte do Brasil. Na visão da entidade, a proibição não mudará o comércio internacional de animais em pé. “O que ocorrerá, de fato, é que esses países buscarão novos fornecedores, e o Brasil perderá espaço no mercado”, disse, em nota a recém-criada entidade.

Segundo Duda Salabert, a medida visa alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais de bem-estar animal e segurança sanitária. A Unapec, por sua vez, alega que “se há pontos a aperfeiçoar, o caminho é a discussão transparente e baseada em evidências e não proibições arbitrárias e ideológicas”.

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30 anos do Imaflora comemorados em grande estilo

Um evento com palestrantes de alto nível, presença de um público (820 pessoas) representativo de vários segmentos (produtores, lideranças indígenas, quilombolas, empresas, governo, ONGs), e permeado por ações culturais (fotografia, música, pintura, cinema), além de uma pequena feira de produtos e oficina de plantio para crianças.

Assim foi o “Aterra”, evento comemorativo dos 30 anos do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), ocorrido nos dias 20 e 21 de agosto, no Sesc Santo Amaro, na capital paulista. Durante a abertura, a diretora executiva da organização, Marina Piatto, destacou que é preciso “valorizar o que nos une”, vislumbrando um futuro em que se possa produzir sem destruir, numa ideia de que proteger é um ato coletivo. “Clima, água e floresta são elementos indissociáveis nesse processo”, lembrou.

A pecuária sustentável mereceu um painel, com participação de dois representantes do Estado do Pará. O pecuarista e líder classista Mauro Lúcio Costa fez uma rápida exposição sobre o processo de transição para a produção sustentável, mostrando dados de sua fazenda, a Marupiara, em Tailândia (PA). Nos 870 ha de área útil desta propriedade (20% do total), ele consegue lotação de 8 cabeças por hectare. “O uso da tecnologia precisa ser inclusivo”, conclamou. A Marupiara foi a primeira propriedade a conseguir o selo ouro do Programa de Boas práticas Agropecuárias da Embrapa, em 2010.

Vendas de sêmen crescem 14% no 1o semestre

A produção e comercialização de sêmen cresceu 14% no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia). O avanço foi impulsionado pela produção nacional, que cresceu 15,5% e ultrapassou 13 milhões de doses, e pelas importações, que cresceram 10,5% no período. “Os números evidenciam o dinamismo do mercado interno e a maior adesão dos pecuaristas às tecnologias reprodutivas”, diz Lilian Matimoto, executiva da Asbia.

Fêmeas pagarão menos imposto

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) comemorou a decisão do governo estadual de reduzir em 30% a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sobre o abate de fêmeas bovinas. De acordo com a entidade, a medida corrige uma distorção histórica que penalizava os produtores ao equiparar a tributação de machos e fêmeas, mesmo com diferenças significativas no valor de mercado e no peso das carcaças.

“Sempre defendemos que não era justo tributá-los da mesma forma. Foram anos de conversas, mostrando ao governo e à sociedade a importância dessa diferenciação. Nossa luta foi reconhecida, e o governo teve a sensibilidade de acatar essa proposta”, destacou Oswaldo Pereira Ribeiro Jr, presidente da Acrimat.

Brasil emite 6% mais metano

O Observatório do Clima, rede de cientistas que reúne 162 institutos de pesquisa e organizações engajadas na agenda climática, divulgou, em 17 de agosto, um balanço inédito sobre as emissões de metano do Brasil. Segundo o estudo, elas aumentaram 6% em quatro anos (2020 a 2023), chegando a 21,1 milhões de t.

A agropecuária respondeu por 75,6% dessas emissões, com 14,5 milhões de toneladas somente em 2023, sendo 98% desse valor proveniente da pecuária, por meio do “arroto do boi”. O seugundo maior emissor foi o setor de resíduos (3,1 milhões de t), seguido pelas mudanças no uso da terra e florestas, com destaque para as queimadas (1,33 milhão de t); setor de energia (50.000 t); processos industriais, uso de lenha e emissões por vazamentos/escapes de petróleo (0,02 milhões de t).

Calculadora de GEE’s

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Embrapa e o Instituto 17, lançou, no dia 12 de agosto, uma plataforma para calcular emissões de metano e óxido nitroso, dois gases de efeito-estufa. Chamada de ABC+Calc, a ferramenta ficará a cargo do setor público (Mapa e órgãos estaduais), mas a ideia é manter os dados disponíveis na plataforma para consultas. A princípio, a calculadora medirá emissões relacionadas ao manejo de rejeitos sólidos da produção animal (suínos, aves de postura, bovinos de leite e bovinos de corte). Cerca de 5,7% das emissões de metano brasileiras vêm desses resíduos e a calculadora poderá ajudar a traçar ações governamentais mais precisas para mitigá-las.

Banvaco é inaugurado

Ottorino Cosivi, diretor do Panaftosa/OPAS, oficializa a inauguração do Banvaco. Foto: Ana Peralta

O Banco Regional de Antígenos para Febre Aftosa (Banvaco) foi finalmente inaugurado. A assinatura que sacramentou sua criação foi realizada no Rio de Janeiro (RJ), dia 28 de agosto, num evento que reuniu representantes de saúde animal do Brasil, Paraguai e Equador, os três países membros, além do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), sob a coordenação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa).

O objetivo da criação de um banco sul-americano de vacinas e, principalmente, de antígenos, é garantir uma reserva estratégica de todos os sorotipos virais de febre aftosa que possam ser considerados um risco para os países da região. A medida faz parte das ações preventivas em caso de reintrodução da doença.

Abertura restrita

As negociações para abrir o mercado do Japão à carne bovina brasileira estão causando uma certa inquietação, devido à possível habilitação de plantas somente da região Sul (SC, RS e PR), apesar de esses Estados responderem por apenas 4% da quantidade de carne exportada pelo País.

A exclusão dos demais Estados das negociações tem incomodado empresas de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, que garantem 60% das exportações. Essas empresas esperavam uma abertura mais ampla do Japão à carne brasileira, principalmente após o País ser reconhecido como livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal.

Gado vivo na mira

A União Nacional de Pecuária (Unapec) manifestou oposição ao Projeto de Lei no 2.627/2025, de autoria da deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), que prevê encerrar gradativamente a exportação de gado vivo por parte do Brasil. Na visão da entidade, a proibição não mudará o comércio internacional de animais em pé. “O que ocorrerá, de fato, é que esses países buscarão novos fornecedores, e o Brasil perderá espaço no mercado”, disse, em nota a recém-criada entidade.

Segundo Duda Salabert, a medida visa alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais de bem-estar animal e segurança sanitária. A Unapec, por sua vez, alega que “se há pontos a aperfeiçoar, o caminho é a discussão transparente e baseada em evidências e não proibições arbitrárias e ideológicas”.

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