Confinamento: engorda de alto nível depende do “ecossistema da nutrição”

Por trás das dietas bem formuladas está uma complexa rede de fatores que pode potencializar — ou comprometer — os resultados do sistema de engorda

Na pecuária intensiva, poucos temas evoluíram tanto quanto a gestão nutricional dos confinamentos, afinal, a engorda é o grande alvo de todos que estão neste jogo. Os perfis de cada dieta — adaptação, intermediária e terminação — são, hoje, amplamente conhecidos pelos pecuaristas que trabalham com esse sistema. É por isso que a diferenciação competitiva de um projeto deixou de estar na fórmula da ração e passou a habitar o entorno dela.

“Hoje, o desafio maior não está na dieta em si, mas nos fatores que influenciam sua execução, sua entrega e seu aproveitamento”, resume Júlio Cesar Borges da Silva, gerente técnico de bovinos de corte da Agroceres Multimix. “Na dinâmica atual dos confinamentos, a nutrição de precisão vai muito além de equilibrar energia e proteína. Ela exige visão sistêmica e atenção aos diversos quesitos que impactam na eficiência da estratégia nutricional.”

Um desses elementos-chave é a gestão da água. Um boi confinado consome, em média, 40 litros de água por dia, fora o volume usado na irrigação dos currais para controle de poeira. Por isso, a recomendação da Agroceres Multimix é clara: a fazenda precisa manter entre cinco e dez dias de estoque hídrico em seus reservatórios.

“Mas há outro ponto, muitas vezes negligenciado: a gestão da água que sai do sistema. A água da chuva que escorre sobre os currais carrega uma riqueza invisível — nitrogênio, fósforo, potássio e matéria orgânica — que, se captada por sistemas de drenagem, pode se transformar em biofertilizante e economia com adubos químicos”, lembra o especialista.

Essa abordagem sistêmica se estende à forma como a água é ofertada aos animais. Bebedouros limpos, em número adequado e com fluxo constante são vitais neste contexto. Neste quesito, Júlio sugere uma prática simples, mas eficaz: pintar o interior dos bebedouros com tinta epóxi para facilitar a limpeza e evitar acúmulo de lodo, que prejudica o consumo e o bem-estar dos animais.

A ambiência do confinamento também exerce influência direta sobre a eficiência alimentar. Altas temperaturas, excesso de poeira, lama e estresse são inimigos silenciosos do desempenho.

O uso de sombrites pode reduzir em até 10°C a temperatura ambiente, mas sua manutenção é crítica, especialmente em regiões de vento intenso. “Pequenos cortes regulares neste recurso, por exemplo, ajudam a quebrar a resistência do vento e a evitar avarias causadas pela pressão do ar. Além disso, o manejo humanizado dos animais — sem gritos ou agressões — é essencial para manter o consumo constante e evitar quedas de desempenho”, pontua Júlio.

Pessoas, genética e tecnologia

O fator humano, aliás, é um dos pilares mais sensíveis da operação. Mão de obra capacitada, valorizada e bem direcionada faz diferença não só na execução dos tratos, mas também na leitura de cocho, no manejo sanitário e na operação de maquinários. “É preciso adotar tecnologias que simplifiquem a rotina e liberar tempo para que o trabalhador atue com mais estratégia”, pontua, destacando que essa é também uma forma eficaz de reter talentos no campo.

Outro elemento que merece atenção é a genética do rebanho. Compreender como cada raça responde à dieta, à lotação e ao ritmo de ganho de peso é parte essencial de um sistema intensivo. “Todo animal é valioso, desde que se saiba o que esperar dele. A questão é parametrizar a operação com base no potencial da genética disponível”, diz o gerente da companhia.

Conectado a isso, Júlio Cesar lembra da importância de o produtor contar com um software eficiente e atualizado para orquestrar o fluxo de uma nutrição precisa, como é o caso do Confinatto, desenvolvido pela própria Agroceres Multimix e que permite controlar, com exatidão, o fornecimento das dietas e acompanhar a resposta zootécnica dos lotes em tempo real.

Mas, para que essa precisão se traduza em resultados, é necessário que haja alinhamento entre a formulação, preparação e a entrega da dieta. Uma dieta só é eficiente se for formulada para o momento e o perfil do lote, com o mínimo de nutrientes e viabilizando o máximo de resposta produtiva. E mais: ela precisa ser entregue com exatidão no cocho.

“O que foi calculado no computador precisa ser o que efetivamente chega na boca do boi”, alerta Júlio. Erros na mistura ou na distribuição dos ingredientes levam à seleção pelos animais e à perda do controle sobre o desempenho médio do lote.

10 fatores que moldam a eficiência nutricional no confinamento

  1. Gestão das águas – Disponibilidade, qualidade e reaproveitamento inteligente da água.
  2. Bebedouros – Oferta adequada e limpeza facilitada para garantir consumo pleno.
  3. Ambiência e bem-estar – Controle de poeira, temperatura e manejo sem estresse.
  4. Mão de obra – Equipe treinada, valorizada e apta a operar com precisão.
  5. Genética – Conhecer o potencial de cada raça para ajustar metas e dietas.
  6. Nutrição de precisão – Monitoramento digital do desempenho e ajuste contínuo.
  7. Formulação da dieta – Equilíbrio entre custo, fase do lote e máxima resposta.
  8. Entrega da dieta – Mistura uniforme e distribuição exata no cocho.
  9. Sanidade – Protocolos rigorosos e observação clínica para garantir consumo.
  10. Manejo – A prática que conecta todos os elos da nutrição com eficiência.

O poder da sanidade e do manejo

A sanidade é outro elo crítico dessa engrenagem. Boi doente não come direito — e isso vale tanto para problemas respiratórios quanto para quadros de estresse, desconforto térmico ou dores articulares. Por isso, protocolos sanitários bem definidos e atenção à observação clínica dos animais são essenciais para garantir o aproveitamento máximo da dieta e a conversão em ganho de peso.

Por fim, há o elemento que amarra todos os outros: o manejo. É ele que transforma protocolos em prática, que interpreta dados à luz da realidade da fazenda e que adapta o sistema às variações do dia a dia. “O manejo conecta tudo. Ele não tem receita pronta, pois é fruto da sensibilidade, experiência e atenção constante. É a arte de fazer cada uma dessas engrenagens girar em harmonia”, conclui Júlio.

Recria do bezerro de 200 Kg até boi magro com 400 kg de forma convencional

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Recria do bezerro de 200 Kg até boi magro com 400 kg de forma convencional  

Peso Inicial 

Início 

Fim 

Período 

Suplementação 

Consumo/d 

R$ / kg 

GMD esp. 

Peso Final 

Custo/dia 

Período 

200,0 kg 

15/mai 

14-jul 

60 dias 

Proteico 40PB 0.1%PV 

0,209 kg 

R$ 2,90 

0,300 

218,0 kg 

R$ 0,606 

R$ 36,37 

218,0 kg 

15-jul 

14-out 

91 dias 

Proteico 40PB 0.1%PV 

0,227 kg 

R$ 2,90 

0,200 

236,2 kg 

R$ 0,659 

R$ 59,93 

236,2 kg 

15-out 

14-abr 

181 dias 

Mineral Aditivado 0,03% PV 

0,087 kg 

R$ 4,75 

0,600 

344,8 kg 

R$ 0,414 

R$ 74,93 

344,8 kg 

15-abr 

14-jul 

90 dias 

Proteico 30PB 0.1% PV 

0,363 kg 

R$ 2,75 

0,394 

380,2 kg 

R$ 0,997 

R$ 89,72 

380,2 kg 

15-jul 

30-set 

77 dias 

Proteico 40PB 0.1%PV 

0,391 kg 

R$ 2,90 

0,275 

401,4 kg 

R$ 1,133 

R$ 87,27 

Total 

 

 

499 dias 

 

 

 

 

 

 

R$ 348,22