Castrar ou não castrar os machos? Parafraseando Hamlet: eis a questão.
São muitas as vantagens de manter bois inteiros nos sistemas de engorda por confinamento, semi-confinamentos ou extensivos.
Comparados aos castrados, os bois inteiros chegam a ganhar até 15% a mais de peso vivo diário, durante o período de engorda. Sua conversão alimentar é maior e faz a carcaça render mais na hora do abate. Outra vantagem importante, ao comparar principalmente os aspectos econômicos e de qualidade, é que os animais inteiros chegam ao ponto de abate até 6 meses antes dos que foram castrados.
Atualmente, a técnica de castração está deixando de ser rotina no manejo das propriedades de recria e engorda, sobretudo porque os animais, quando submetidos ao ato da castração, sofrem estresse, perdem peso e, em casos mais extremos, podem vir a óbito por infecções ou tétano. Ao evitar a mutilação, o produtor ainda se beneficia quanto à redução do manejo dos animais e aos custos com a aplicação de medicamentos profiláticos.
Continuando com as vantagens, bois inteiros produzem em seus testículos o hormônio testosterona, que funciona como anabolizante natural. Este hormônio estimula, por um lado a formação de maior musculatura na fase de crescimento e, por outro, menor deposição de gordura, o que faz com que o animal tenha mais rendimento de carcaça e consequente valorização no frigorífico.
No entanto, para se obter sucesso neste sistema de engorda, a regra número um é conter o apetite sexual dos animais. É sabido que machos inteiros, quando submetidos a qualquer situação de estresse como alta lotação, manejo intenso, barro, poeira, intempéries, problemas com alimentação e outros, tendem a desenvolver mais sua atividade sexual e, consequentemente, não só se alimentam menos como também ficam mais agressivos e dificultam o manejo da propriedade. Tal cenário, denominado Sodomia, ocorre justamente pelo desequilíbrio hormonal, em virtude do aumento exagerado do nível de testosterona na corrente sanguínea e desencadeamento de distúrbios comportamentais.
Já está comprovado que animais em regime de confinamento, divididos em número de 200 por baia, chegam a saltar uns sobre outros cerca de 100 vezes em 10 minutos de observação. Formam grupos de 30 ou mais animais, os considerados "dominantes", que perseguem apenas um elemento do rebanho, o chamado "dominado", que pode sofrer vários tipos de lesão, fratura ou até chegar à morte.
Para evitar os percalços causados pela Sodomia há técnicas que ajudam a controlar a situação. Trabalhar com lotes pequenos, evitar entreveros, construir instalações que proporcionem bem-estar aos animais e utilizar produtos específicos para a prevenção são algumas das saídas que os produtores têm buscado para tirar o máximo de proveito do confinamento de animais inteiros.
Nesse contexto pode-se citar, como um bom exemplo de resultados no controle e prevenção da Sodomia, o uso da homeopatia populacional. A terapêutica disponibiliza medicamentos que permitem tratar todo o rebanho confinado até o último momento de alimentação antes do abate. A técnica, que é produzida através de matéria prima 100% natural, promete reverter quadros de desequilíbrio hormonal rapidamente, proporcionando resultados que refletem no ganho de peso final dos animais. Esses medicamentos atuam na redução do estresse e agem diretamente no centro de excitação sexual do macho, bloqueando sua atividade sexual e diminuindo a libido pelo equilíbrio dos seus níveis de testosterona, fazendo com que os animais mantenham-se focados em se alimentar melhor e ganhar mais peso.
É isso. Motivos para manter os animais inteiros no confinamento não faltam. Vantagens há de sobra, é só tomar os devidos cuidados e usar métodos e terapêuticas adequados.
Se a dúvida estava entre castrar ou não castrar, a questão está resolvida. Deixemos as dúvidas de Hamlet só para ele mesmo.
Luciano Silvestre é médico veterinário da Real H.